RESENHA+SORTEIO| Sinistros Insones, W. Teca

Sinistros Insones
Autor: William Teca
Ano: 2017
Editora: independente + Clube de Livros + Catalina.

A existência é uma trapaça. É isto que Teca nos diz em Sinistros Insones. Não pretendo resenhar aqui aspectos formais e cumprir todo o protocolo sobre este livro de poesia. Aliás, isto diante desse trabalho seria um crime. Sinistros Insones trata-se, antes de mais nada, de um livro sobre a dor do mundo. Parece inegável, ao visualizar a composição de que ele se vale, que estejamos lidando com uma realidade inconclusa: certamente, Sinistros Insones é a noção de um livro incompleto. Teca não se torna poeta, não se faz poeta: o agir poético reside diante da impossibilidade da conclusão de sua finalidade. Diante dessa contradição, é ele o homem dos cigarros a arder entre os dedos, a observar as polaquinhas desfilarem rebolantes pelos quiosques dos cachorros-quentes da madrugada do centro-velho de Curitiba com o umbigo de fora. A poesia em Teca é da ordem do marginal, em que o explícito e escancarado de uma realidade de uma noite mal dormida desflora ante o espectro do cansaço. É na embriaguez que se recontam os meandros das gentes que são despojos, esquecidas entre os quarteirões, nos pequenos botecos e bibocas. Teca é um Sinistro, Sinistro como aquele que voa pelo thunderbolt da praça do expedicionário, em chinelos de dedo a retomar a dura experiência da realidade como um acesso de melancolia. A cada tragada de uma proximidade com a morte, nota de imediato o fatal destino de todas as coisas numa coincidência com o viver.

marcador sinistros insones

Não há paginação em Sinistros Insones. Evidentemente é um livro que não se pretende honrar à lógica e a precipitação: leia-se com cuidado e atenção. Também não iremos encontrar títulos na maioria de seus poemas. Há a despreocupação com a determinação de uma síntese, mas sim a preocupação com o vagar de um pensamento em crise. Para tal é interessante que Teca se valha de referências de toda a ordem: desde músicas do Roberto Carlos, Heidegger, até o Rubayat do Omar Khayyam. Erudito, mas da ordem do acaso, erudito distante dos homens dos pós-doutorados e da personalização do lattes e plataforma sucupira. Rebelde. É como se do vinho de Khayyam (talvez de Baudelaire?), Teca retirasse o véu daquilo que lhe causa o mal-estar e a labuta da escrita: a vida, vida crua e maldita. A matéria da carne, carne bem mijada e escatológica de um mundo espantoso, grotesco e rudimentar é o que fascina, remonta o existir o escrever. Porém, não vale a pena: escrever é o esforço inconcluso de algo infindável, uma completude que jamais alcança uma possibilidade de captura da essência das coisas. Ora Teca, é gauche na vida. É gauche da ordem do ditirambo, da alegria no interior da tristeza, acometido do irreversível feitiço da bílis negra: ser poeta.

Ante a loucura de Dioniso na contemporaneidade, sempre a observar as sarjetas das esquinas das nossas casas, estará lá o Sinistro Insone como um flâneur atento as elucubrações dos dias e das gentes esquecidas. Em poucas páginas de Teca, há de encontrar a angústia do mundo num bocejo tupiniquim, das vielas curitibanas a céu aberto para o leitor atento e profundo. Vale a pena.

Cabe a pergunta: Sinistro, quo vadis?


Os exemplares da primeira edição do livro estão esgotados, então essa é uma oportunidade para quem quer ganhar um exemplar do livro impresso: é muito simples, basta comentar #EuQueroSinistrosInsones aqui neste post. O resultado do sorteio será dia 12/05.

Para quem tiver interesse em adquirir, pode comprar a versão e-book na Amazon, por apenas R$10:

Facebook Comments

12 comentários em “RESENHA+SORTEIO| Sinistros Insones, W. Teca

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: