RESENHA + SORTEIO | Não é com Vinagre que se apanham moscas, de Kathia B. B. Marulli

Não é com vinagre que se apanham moscas
Autor: Kathia B. B. Marulli
Ano: 2016
Editora: All Print
Sinopse:

NESTA SUA SEGUNDA COLETÂNEA DE CONTOS, Kathia B. B. Marulli apresenta um pouco da vida de personagens distintos, como: o caçador de nazistas; a senhora preconceituosa que tem a percepção distorcida; o conquistador, com a performance abalada por um fato inesperado; o assassino profissional, para quem a ética é importante, entre outros. O drama é pincelado com humor, às vezes meio ácido, como o vinagre do título. A autora também faz uma homenagem a Edgar Allan Poe, um de seus autores preferidos. Com linguagem despojada, Não é com vinagre que se apanham moscas pretende proporcionar bons momentos ao leitor.

“Não é com vinagre que se apanham moscas” é um livro de contos escrito pela paulistana Kathia B. Marulli, no qual apresenta um pouco da vida de personagens distintos, como ela mesma descreve em sua sinopse.

Para mim, o mais interessante deste livro, além das próprias histórias, foi tentar deduzir sobre o que falavam apenas com o título. Tentei descobrir se Kathia é uma fã dos finais felizes ou trai os clichês com fechamentos trágicos, mas seus contos sabem dosar tais acontecimentos, com um toque bem realista.

Um final feliz acontece quando é possível. A autora não costuma, durante todos os contos, acrescentar reviravoltas pitorescas para trazer o final desejado pelo leitor, e é uma das maiores surpresas de sua escrita.

Com inspiração em alguns famosos escritores como Lygia Fagundes Telles, Guimarães Rosa e o grande Edgar Allan Poe, Kathia honra suas referências com contos baseados em suas obras, como é o caso de Devaneios, baseado no conto do grande escritor de nome Ligeia.

Sobre Meninos e Lobos abre o livro com aquela expectativa de qual seria o estilo da escritora. Somente com o título em mente, já imaginei que deveria tratar-se de uma metáfora de como o homem pode ceder ao seu lado animal (sim, eu dou umas viagens legais) e ao ler, percebi que a história não era tão profunda, pelo contrário, tinha até um toque cômico e ao mesmo “fofinho”.

Um conquistador barato, louco para laçar sua conquista da noite, é levado de volta à infância humilde ao ouvi-la mencionar uma leguminosa pouco conhecida em nossa dieta rotineira, chamada de Tremoço. Com suas lembranças, acabou se decepcionando com o desfecho de sua própria façanha.

O segundo conto da obra, chamado de “O Verso e o Reverso” nos abate de primeira com muitíssimas manchetes de jornais de datas diferentes, de casos e soluções variadas. O narrador do conto se mantém cético as informações o tempo todo, até que descobrimos que quem lia estes jornais estava na cadeia, e um árduo plano se formava em sua mente.

Confesso que esse conto me confundiu um pouco. O final ficou meio nebuloso para mim, pois algumas metáforas e informações implícitas deixadas pela autora não foram muito bem captadas por mim.

Força Bruta é de todos o mais curto. Começa tão rápido quando termina, e nos deixa aquele ponto de interrogação na mente. Pequenos e curtos parágrafos que descrevem uma tortura, mas o mais torturante não é a descrição em si, mas a dúvida em não sabermos se o torturado é um animal no abate ou um ser humano.

Sem Retorno descreve o amor de um jovem pela moto, e como ele o destruiu. Acho que o conto inteiro é uma metáfora para nossos vícios, que parecem ser o melhor e aos poucos vão nos destruindo.

Finalmente, chega o meu favorito “Crianças Azuis”. Acho que desde que tinha começado a leitura, esse era o conto de título mais cativante. Li todos de uma forma bem rápida para poder chegar logo nesse, e felizmente, não me decepcionei. De todos, esse sim foi o meu favorito. A história de duas mãe aflitas, que não tiveram o prazer de levar seus filhos para fora do hospital assim que nasceram. Os recém-nascidos tiveram problemas no momento de seu nascimento e tiveram de permanecer lá por mais um tempo. Uma amizade foi criada entre as duas progenitoras desafortunadas, unidas pela dúvida e desesperança em uma tragédia.

“Unidos por uma situação em comum, não passavam de um grupo de estranhos. Como se estivessem todos em um mesmo navio, prestes a afundar”

Pag 35. Conto: Crianças Azuis

Crianças Azuis me cativou desde a primeira linha. Como um simpatizante da área da saúde, sei que o ambiente hospitalar, as perdas diárias de vidas humanas, e a dor de estar um passo entre a vida e a morte é um fardo para esse tipo de profissional. Kathia soube retratar bem a tensão que atinge pacientes que frequentam o ambiente hospitalar.

O Show da Vida me pareceu uma grande homenagem a Cecília Meireles, em que uma mulher, que já foi uma grande artista, começa a perder público e prestígio, pois o tempo levou sua juventude. Ela percebe que aquela alegria, glória, e desejo que sentia por parte de sua plateia já não tem a mesma potência, e que a boa aparência se vai, mas a essência fica. A protagonista se arrependeu em ter apostado suas fichas no que lhe foi passageiro.

Apenas uma questão de profissionalismo foi o conto mais surpreendente. E por esse mesmo motivo, não posso dar muitos detalhes para não estragar essa surpresa. Mas se preparem para um choque. É tudo que eu digo. Trata-se de um homem falando sobre ter ética em seu trabalho. O que pode ter de impressionante nisso? Bom, leiam e me digam.

Encontro é aquela realidade bem dura e irônica. Um garanhão se interessa por uma moça, querendo um caso de uma noite. Mas e se a noite tiver sido tão boa se ele quiser repetir? Ah, isso é surpreendente. Mas alguém esqueceu de avisá-lo que quando um não quer, dois não fazem. (piada bosta, eu sei.)

Amei esse conto e a virada que ele dá em sua última linha. Foi divertido. Gosto de pessoas convencidas se dando mal.

O viés cômico do conto anterior some, ao lermos a primeira linha de Triângulo que narra a insatisfação de uma filha, com a maneira que sua mãe trata seu amado pai. Ela o desvaloriza e o critica, quando o pobre homem só quer o melhor para as duas. É como diz aquele velho ditado: “Você não sabe o que tem até perder.”

A Dona do Passado Perdido é um doce conto que não me permitiu não lembrar do sucesso nacional Minha mãe é uma peça, protagonizado pelo ator Paulo Gustavo. Uma mãe conta a história de sua vida, falando sobre o casamento e os problemas com os filhos, deixando aparentar durante a leitura como ela é solitária. Tendo a ex primeira dama norte-americana Jacqueline Kennedy como referência, essa divertida senhora que é a protagonista do conto nos fascina com as histórias engraçadas de sua vida e seu grande ego.

Devaneios nos traz a história de um rapaz que tem o dom, ou a sina, de ver coisas no futuro. Uma habilidade que sempre o assustou e aqueles que viviam ao seu redor, trazendo a sua vida vários acontecimentos tristes e trágicos, enquanto ele apenas tentava fugir de seus problemas.

E como fechamento, temos Um Homem Afortunado que foi claramente escrito com um toque do estilo de Lygia Fagundes Telles, pois o estilo da história muito me lembrou o conto da escritora chamado Venha ver o por do sol.

Um homem folgado, que usou do plágio para vencer um concurso, promete a um colega de trabalho que iria fazer um pequeno ritual no túmulo de Edgar Allan Poe, mas o resultado não saiu como esperado.

Mas o que saiu de muito esperado foi minha reação ao terminar de ler o livro. Como um aspirante a escritor de 19 anos, ler e contemplar a genialidade de Kathia Marulli ajudou a enriquecer não só meu vocabulário e minha estante, mas a minha forma de escrever e criar. “Não é com vinagre que se apanham moscas” , em todos os seus contos, me mostrou uma importante lição: Algumas coisas têm soluções óbvias, que por serem tão óbvias, acabam passando despercebidas. Os finais dos contos nos dão pistas durante toda a história, sobre o fim que irão tomar, mas por procurarmos coisas bem mais profundamente, acabamos nem percebendo.

Essa é a genialidade do livro e da escritora. E eu planejo levá-la comigo para minhas próximas leituras.


Quem tiver interesse, Não é com vinagre que se apanham moscas está a venda na Livraria Cultura, Cia dos Livros ou na editora All Print.

Mas os leitores do blog do Clube de Livros podem ganhar não só esta coletânea de contos, como também o kit que a própria autora enviou especialmente para vocês, com 1 exemplar de Tratado secreto de magia vol. 2, 1 exemplar de Contos de maldição e desejo (ambos se sua autoria) e um marcador. Para concorrer, basta comentar #EuQueroKitdaKathia. O resultado sai em 1 mês.

kit kathia

PS: Lembrando que o envio gratuito será feito apenas para território nacional. O ganhador será contactado por e-mail e se não responder no prazo de 3 dias, o sorteio será refeito. Quem não utilizar a hashtag será desclassificado.

 

 

Facebook Comments

Sobre o autor

Leo Moreno
Olá, meu nome é Leonardo, mas podem me chamar de Leo. Tenho 19 anos, libriano, nascido em Fortaleza, capital do Ceará. Sou aluno do curso de Direito da Universidade de Fortaleza e do curso de Japonês da Universidade Estadual do Ceará. Escrevo livros para a plataforma do wattpad, onde já possuo um livro completo, outro em andamento e alguns contos de diversos gêneros. Falo inglês fluentemente. E agora, aqui estou eu nesse desafio honroso que é participar do Clube de Livros como resenhista.

Leo Moreno

Olá, meu nome é Leonardo, mas podem me chamar de Leo. Tenho 19 anos, libriano, nascido em Fortaleza, capital do Ceará. Sou aluno do curso de Direito da Universidade de Fortaleza e do curso de Japonês da Universidade Estadual do Ceará. Escrevo livros para a plataforma do wattpad, onde já possuo um livro completo, outro em andamento e alguns contos de diversos gêneros. Falo inglês fluentemente. E agora, aqui estou eu nesse desafio honroso que é participar do Clube de Livros como resenhista.

24 comentários em “RESENHA + SORTEIO | Não é com Vinagre que se apanham moscas, de Kathia B. B. Marulli

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: