RESENHA | O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares

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O Orfanato da Srta. Peregrina Para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Publicado em: 2012
Editora: Leya
Páginas: 336
“Um romance tenso, comovente e maravilhosamente estranho. As fotos e o texto funcionam brilhantemente juntos para criar uma história inesquecível.” – John Green, autor de A culpa é das estrelas
“Você têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito…” – Tim Burton, diretor e produtor de Edward Mãos de Tesoura
SINOPSE
“Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares: elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo… E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas.”
Confesso que acabei julgando a obra do Sr. Riggs pela capa e pelo título: acreditei que abordaria temas como um lugar sinistro e assombrado ou crianças do mal, no melhor estilo Children of the Corn do incrível Stephen King. Entretanto, a história se mostrou incrivelmente diferente do que imaginei – embora também possua seus próprios momentos macabros – e superou qualquer expectativa. Ao concluí-la, ficou o delicioso gostinho de QUERO MAIS (em caps porque sou exaltado).
A trama é definida por meio de uma sábia combinação de narrativa e fotografias vintage – autênticas, com exceção de algumas que passaram por “leve tratamento”, segundo informações prestadas pelo autor. Esse é um dos principais atrativos do livro, pois através dessas imagens que nos intrigam e instigam, podemos mergulhar mais fundo no universo que o Sr. Riggs nos propõe.
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(Fotografias do livro. Créditos na imagem.)
Jacob Portman, ou simplesmente Jake, é um adolescente repleto de frustrações: cresceu ouvindo narrações fantásticas do avô, Abraham Portman, que se tornaram fontes de suas principais amarguras; vive inserido no berço de uma família bem-sucedida, porém, desestruturada, com pais que não sabem serem pais; e não possui muitos amigos, mais precisamente, só tinha um.
“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo. A primeira delas foi um choque terrível […].”
Para completar o drama do rapaz, sua vida vira de cabeça para baixo após ele sofrer uma grande e traumática perda que o levou, inclusive, a frequentar sessões com um psicólogo. E, enquanto todos creem que Jake tenha enlouquecido, ele começa a descobrir pistas intrigantes sobre o passado do seu avô, pistas que o levam a embarcar numa viagem rumo a uma ilha distante.
Aqui é aonde a trama segura seu maior mistério. Você fica se perguntando se a história das crianças peculiares é inteiramente real ou não. Uma menina que levita? Um menino que tem abelhas vivendo no seu interior? Um menino invisível? Uma menina com uma boca na parte de trás da cabeça?! Seria tudo isso possível? Ora parece improvável, tudo leva a crer que as crianças não passam de fantasias criadas a fim de amenizar a verdade a respeito de eventos trágicos, ora parece que realmente há um mundo peculiar a explorar. O autor cria um tremendo suspense, sustentado por uma ótima e dúbia linha de raciocínio, que nos apreende e nos deixa na expectativa da “grande revelação”. Mito ou verdade? Fantasia ou contextos mal compreendidos?
A resposta nos pega de surpresa, apesar de que, em dada parte, já seja óbvia. Mas por que surpreende? Porque, entenda, é isso que Ransom Riggs faz: ele não cansa de surpreender o leitor. É inesperada a forma como o mistério é desvendado. O universo das crianças peculiares é muito mais elaborado e expansivo do que você pode imaginar, acredite.
A introdução das tais crianças peculiares não poderia ser melhor – e nem mais divertida, de certo modo. Conhecemos, por exemplo, duas delas que acabam sendo fundamentais na trama: Emma, uma garota amargurada e valente; e Millard (meu personagem favorito), o esperto do grupo. Eles se tornam os primeiros amigos de verdade de Jake.
Logo mais somos apresentados a Alma Peregrine, a protetora das crianças. E é ela quem ajuda Jake a compreender o passado do seu avô.
Cada novo personagem a surgir é um presente: você se encanta, você duvida, você se espanta. Mas nunca fica indiferente. Nem todos, obviamente, são bem aprofundados, mas ainda assim, dá para notar que são bem construídos. A melhor parte das descrições é quando elas se intercalam com as fotografias.
“Comecei a me sentir estranho. Imaginei estar sendo observado; imaginei que as crianças ainda estavam ali, preservadas como o Garoto do Pântano, dentro daquelas paredes. Podia senti-las me espiando através de frestas e buracos na madeira.”
Então você pensa que, tendo o mistério principal sido revelado, chegamos ao ponto alto da história, não é? NÃO! Absolutamente não. É só o começo. Há muita ação, adrenalina, fantasia, romance e novos mistérios para bombardear você. E, em hipótese alguma, pense que isso torna a história prolongada demais e, assim, cansativa. Afaste esse pensamento ruim! Ocorre justamente o contrário, conforme a história avança, melhor fica.
“Quando alcançou os garotos, ela levantou os braços e eles amarraram uma corda à sua cintura. Então ela saiu cuidadosamente de seus sapatos, um pé de cada vez, e quando ficou livre deles…”
Conhecendo melhor as crianças peculiares, descobrimos o porquê delas se manterem tão reclusas. Elas são caçadas! Por humanos? Não… São caçadas por algo quase tão ruim quanto humanos: os Acólitos, criaturas desprezíveis que visam um propósito absurdo, egoísta e maníaco.
Há uma grande reviravolta na trama, alguém muito próximo a Jake se revela um grande inimigo que, ardilosamente, causa danos irreparáveis para os peculiares. No final, Jake toma uma importante decisão que talvez possa vir a dividir opiniões. Ele assume uma grande responsabilidade e se atira em um perigoso desafio, que o obriga a deixar algumas pessoas para trás… As consequências da sua escolha surgirão apenas na continuação do livro: Cidade dos Etéreos.
Em suma, O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares é uma obra fascinante e diferente de tudo que já li. Numa escala de 0 a 10, eu daria nota máxima. É uma indicação de leitura que faço sem pensar duas vezes. Todo leitor que aprecia uma boa fantasia deveria fazer parte do admirável mundo peculiar de Ransom Riggs.
Uma observação: a arte gráfica do livro é simplesmente incrível!
Uma curiosidade: a princípio, a ideia de Riggs era montar um livro que reunisse antigas fotografias que contassem uma história visual. Porém – eu diria graças a Deus –, o autor acabou criando uma narrativa que intercalasse com as imagens, resultando nesta obra extraordinária.
Uma nota: a obra inspirou um filme dirigido por Tim Burton, O Lar das Crianças Peculiares, que sairá nos cinemas brasileiros dia 30 de setembro deste ano. Teremos Asa Butterfild (O Menino do Pijama Listrado) como Jacob Portman e a maravilhosa Eva Green (Penny Dreadful) como Srta. Peregrine.
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