RESENHA | O bardo na taverna, Raphael Kepler

Livro: O bardo na taverna
Autor: Raphael Kepler
Ano: 2017
Editora: Independente. Disponível gratuitamente no Luvbook.
Sinopse: 

“Uma taverna, um bardo e um assassino com sede de sangue. Esse é o cenário inicial desse conto cheio de reviravoltas e personagens carismáticos. Sente, peça uma cerveja e conheça a história de Lewrence de Pontavelha, um cantor que precisa fazer de tudo para salvar a própria cabeça.”

Lewrence de Pontavelha, o narrador, é um bardo que se meteu com a pessoa errada. Um pouco como nos contos persas de Mil e uma noites, nos quais Sherazade precisa contar uma história todas as noites ao rei, e também marido, em troca de sua vida (ele a teria matado ao nascer do dia, caso ela não tivesse lançado mão de tal artifício), Lewrence encontra, numa taberna de Mistral, um assassino cuja crueldade é conhecida por todos. Esse assassino, muito temido na região, ficou conhecido pelo nome de Khaishi, e num jogo de vida ou morte propõe ao bardo que lhe conte uma boa história. Se acaso a história não o agradasse, ele mataria o bardo ali mesmo, diante de todos os presentes. Então, ele decide contar ao assassino a melhor história que ele conhece, uma história sobre bruxos e assassinatos, convencido de que logrará sucesso ao impressionar o tal de Khaishi, tendo a sua vida poupada.

Nessa história, o filho e herdeiro do lorde Geller Loren, senhor de uma grande casa nobre, o jovem Stephen Loren, impelido pelo típico desejo pelo desconhecido da juventude, decide aderir ao culto do kravanismo.  Os membros desse culto possuem a surpreendente habilidade de dobrar a morte, isto é, de dominá-la e utilizá-la para os seus propósitos, de modo que, pode-se dizer, alcançam a vida eterna. Mas, o que Stephen Loren não sabia é que o preço pela eternidade era mais alto do que ele, em seu ímpeto juvenil, poderia imaginar. Desse modo, ele se vê enredado numa trama de conspiração e assassinatos. Seu mestre, homem misterioso responsável por introduzi-lo no culto, o  submete a tarefas cujos propósitos lhe são ocultados. Assim, Stephen é obrigado a tais tarefas, pois do contrário perderia sua própria vida, provando ser indigno de receber o dom dos bruxos kravanis.

O protagonista da história evoluirá de um jovem ambicioso a um servo leal de um culto obscuro. Segredos serão revelados, ardis serão tramados, sangue será derramado, e uma dúvida perene cairá sobre o leitor, inclinado a desconfiar de cada palavra que lhe é dita. Tudo ou quase tudo parecerá, aos seus olhos, possuir algum tipo de sentido oculto, como se o próprio leitor fosse aquele que o bardo procura ludibriar. E não se poderia querer menos de uma história de intrigas e magia negra.

O leitor terá à sua disposição aqueles elementos que formam uma clássica aventura fantástica, o que certamente lhe fará lembrar de uma típica quest de RPG, com seus desafios e – por que não? -, surpresas e reviravoltas. Não se deve esperar, aqui, uma épica narrativa de alta literatura, à maneira de O Senhor dos Anéis, pois nosso herói é tudo, menos um herói, e se ele desperta algum sentimento em nós, leitores, certamente é, como já deve ter ficado claro, o de suspeita. Ao leitor atento fica a tarefa de identificar os detalhes que permitirão, quem sabe, antecipar a narrativa, entrever os planos sombrios tecidos por uma extensa teia de intriga e sede de poder.

A cada capítulo, crescerá em nós a curiosidade acerca do destino de Stephen Loren, mas não só isso, também crescerá a curiosidade pelo destino do narrador, o bardo Lewrence, em sua tentativa de ludibriar o temível assassino; ele conseguirá salvar a própria pele, contando uma boa história? Ele será morto a sangue frio por Khaishi? Ou algo ainda mais surpreendente irá ocorrer? Para encontrar as respostas a tais indagações, convido o leitor a conhecer a taverna, se servir de uma caneca de cerveja ou vinho, e, desfrutando desse conto que só poderia ser contado por um bardo, por si mesmo vá ao encontro de tais respostas.

Saúde, leitores!

Vocês poderão ler esse livro aqui: https://www.luvbook.com.br/ler/2646/

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Sobre o autor

Raony Moraes
Resenhista do Clube de Livros, estudante de filosofia em hiato acadêmico, desenvolvedor independente de jogos eletrônicos e escritor amador. Catarinense de nascença, vive atualmente no interior de SP, mas pretende retornar à Curitiba, cidade que considera a sua verdadeira casa. 🙂

Raony Moraes

Resenhista do Clube de Livros, estudante de filosofia em hiato acadêmico, desenvolvedor independente de jogos eletrônicos e escritor amador. Catarinense de nascença, vive atualmente no interior de SP, mas pretende retornar à Curitiba, cidade que considera a sua verdadeira casa. :)

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