RESENHA | Orgulho e Preconceito de Jane Austen

Texto de Fernanda Scheffler. 

(livre de spoilers)


Orgulho e Preconceito
é o romance que fez com que Jane Austen se tornasse mundialmente conhecida como uma das maiores escritoras da literatura inglesa. É a história de amor de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet que acompanhamos nessa obra de mais de 200 anos, uma das mais amadas pelo público.

Logo somos apresentadas a Elizabeth– segunda irmã mais velha de cinco –, que precisa se casar com um bom marido para garantir um futuro próspero à família pobre. Isso é refletido na frase inicial do romance:

“É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa”.

Apesar dos esforços da família e, ao contrário de suas irmãs, Elizabeth não deseja se entregar a um casamento de conveniência.

Por outro lado, Darcy é um membro da elite de Londres, um homem extremamente rico e importante, acostumado a andar lado a lado somente com pessoas do mesmo nível social. Certo dia decide acompanhar seu amigo Bingley a Netherfield Park, onde oferece um baile e conhece as moças da família Bennet.

Bingley mostra interesse pela mais velha das irmãs – Jane –, mas Darcy as descarta tal como todas as outras da festa, deixando claro que para ele não havia nenhuma mulher ali que merecesse uma segunda olhada. Elizabeth logo toma aversão a Darcy, acreditando que ele era a pessoa mais orgulhosa que já conhecera.

O romance entre Bingley e Jane obriga Darcy e Elizabeth a conviverem, mesmo tendo opiniões controversas em relação ao outro. Com o tempo, eles passam a se tratar de maneira mais agradável e tolerando, abandonando o preconceito que tinham e, aos poucos, com o desenrolar da história, descobrindo que são apaixonados um pelo outro.

É extremamente difícil escrever sobre Austen, uma vez que se mostra quase impossível encontrar palavras à sua altura. Relê-la é sempre se redescobrir e descobrir uma nova essência na mesma história. Os personagens são bem construídos e o enredo é moldado de forma natural e fluida, fugindo dos clichês; e faz com que os leitores se envolvam de uma forma inimaginável tanto com os personagens quanto com o ambiente em si.

Embora o romance seja o foco principal e nos apaixonemos tanto por Elizabeth quanto por Darcy, a obra está lotada de críticas sociais também. De forma sutil, Austen critica o casamento por interesse e a falta de amor e a pressão sobre as mulheres para que se casem tão jovens. É uma obra atemporal que nos insere em reflexões acerca do século XIX e o nosso século. Sua protagonista, Elizabeth, é um exemplo a ser seguido – mulher questionadora, decidida, forte. É uma personagem que, ao contrário de muitas estereotipadas em romances, também erra, mas que busca ter voz numa sociedade que via a mulher como um ser que necessita ser submisso.

Orgulho e Preconceito é uma daquelas histórias apaixonantes de serem lidas, pois Jane Austen, além de ter uma escrita impressionante e uma criatividade incomparável, conseguiu criar uma obra à frente de seu tempo, que merece ser lida por todos.

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