RESENHA | O Saotur de Natalia Moraes 

​Ao ler os primeiros parágrafos do livro você se sente sendo transportado para uma outra época, em um reino onde tudo (ou quase tudo) é capaz de se tornar realidade.

Logo somos apresentados a Constantin Teller, um náufrago em um reino completamente desconhecido, que é resgatado por Lyhty Morken (que carinhosamente chamo de Lylith (risos)), uma garota enérgica e que emana juventude e beleza, que chama a atenção do jovem por seus olhos cor púrpura. Disposto a mudar, Constanti decide ser o homem que sempre almejou ser: um escritor. Largar a vida de libertinagem que tinha ao lado dos piratas a bordo do Volvet. Decidirá que iria provar para todos que podia mudar. Seu passado já não iria mais lhe envergonhar.

“Esta não é mais uma história sobre um naufrago que não consegue se lembrar de quem é, ou de onde vem. Constantin se lembra de tudo perfeitamente, porém, preferia esquecer. ”

Mas se pensa que a história se trata apenas dos dois, engana-se. Em uma narrativa em terceira pessoa o livro nos permite conhecer diversos personagens e suas respectivas histórias. Interligando cada uma e dando um propósito especial a cada um no enredo. Uma dessas histórias destaca-se entre as demais: Helena e Lotus. Uma história trágica de um amor proibido entre uma humana e um Saotur. Tão forte era esse amor que dele fora concebido Saphere – um meio-humano e meio-Saotur. O qual havia sido responsável pela vinda do forasteiro para as terras do reino. Criando todo um conflito entre as partes envolvidas e virando mundos de ponta cabeça.

“A história de Helena e Lotus ecoou por todo o reino e foi motivo de estudos, acusações e tragédia. ”

A autora tem sutileza ao descrever até o mínimo dos detalhes, nos deixando imersos e conectados à história. Você se sente dentro daquele vasto reino e todos os seus mistérios e isso nos prende. Faz com que nos questionemos assim como o Teller: Como surgiu este reino? Quem são essas pessoas? Por que tanto segredo e mistério? Por que não ter contato com o mundo exterior?

A maneira que humanos e Saotur se odeiam é surpreendente. Tudo dificulta por serem inimigos e, praticamente, morarem lado a lado. Separados apenas por um acordo que por vezes fora quebrado. Os Saotur cada vez mais sentiam-se com a necessidade de alimentar-se dos humanos já que a escassez no mar os atingiu. A batalha entre humanos e Saotur era inevitável. E eis que ela chegou. Um mar de sangue iria se estender pelas dependências do reino. Como simples humanos podem vencer seres grotescos e letais como eles? Seria impossível! Porém, os membros da realeza e seus poderes estavam sempre a posto para defender os súditos de suas terras.

 “Então ele viu um braço de veias escuras subir da água e arrastar Sam para o fundo, arranhando seu corpo com longas e grotescas unhas de uma cor mórbida, semelhante a de um defunto. ”

“A visão era horrenda. Pessoas gritavam de dor e de ódio. Os Saotur montavam nos ombros dos homens feito demônios. Cravavam suas unhas no queixo e torciam-lhe a cabeça até arranca-la do corpo, levando junto parte da espinha dorsal.”

Buscas para encontrar a si mesmo. Traições. Amores proibidos. Romance. E um toque de humor são algumas das coisas que você encontra neste livro.

É difícil explicar o que senti ao ler esta obra porque é uma leva de sentimentos. Cada capítulo é uma nova emoção, é um novo mistério a desvendar, é uma nova teoria a se criar. Este livro é de uma genialidade tida por poucos! Tudo nele é encantador e não há um momento em que você queira larga-lo. Todo o enredo se passa de fácil leitura e num curto prazo de páginas.

Se você é do tipo que curte uma fantasia repleta de aventuras, suspense e seres míticos este livro é o ponto certo para você.

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