RESENHA | HQ Úlcera Vórtex 1

ATENÇÃO: A resenha abaixo é fictícia (ou não) e uma homenagem ao meu amigo
Victor Bello. Ela poderia ser resumida com: “Compre o estupendo quadrinho de VB:

lcera 1
Imagem: Edição nº1 de Úlcera Vórtex

“Úlcera Vortex – volume 1” é caótico. A dificuldade de resenhá-lo é que um texto vai
acabar por pôr ordem no caos e trair justamente aquilo que ele quer expressar – a mente
perturbada, perturbadíssima, de Victor Bello. Contudo, Úlcera Vortex sendo isso não
é APENAS isso.

Duas histórias correm juntas nesse primeiro volume. A história de Loépio –
cientista bem sucedido profissionalmente, ainda que submetido a uma alta competição,
cuja vida pessoal encontra-se no mais absoluto farrapo – e de Adriano do Gás –
motoboy responsável pela entrega do gás e portador de um passado criminoso ligado a
crimes cibernéticos. Enquanto uma das tramas recai em uma insólita história de ficção
científica que conjuga uma crítica, até certo ponto clássica, das religiões institucionais, a
outra reprisa os elementos básicos e excêntricos do cinema B de luta e artes marciais.
O mais importante, contudo, não diz respeito ao enredo ou mesmo ao
enquadramento dramático. O que mais importa – como vaticinava Lovecraft – é a
atmosfera criada. Nela predomina uma feição niilista da existência, no qual as cenas
bizarras e chocantes – e frequentes! – funcionam como uma espécie de produtor de
angústia e mal-estar no leitor (sem excluir o riso). Não há nenhum valor medianamente
digno que oriente a conduta das pessoas – apenas um desejo cru de sobrevivência e
autoconservação (Loépio e sua cura do câncer servem de exceção confirmadora). A
religião nada tem que ver com transcendência, mas é pura e simples resposta obtusa a
respeito do sentido ignorado de uma existência marcada pela mais autêntica
casualidade.

Ainda sim isso seria pouco se não fosse cuidadosamente harmonizado com o
traço. Victor Bello é, apesar da pouca idade, portador de uma vigorosa experiência,
o que se vê no cuidado com o traço, o qual amadureceu patentemente em seus últimos
trabalhos. A dureza de seu traço expressa o universo nonsense e sujo dos
participantes/vítimas de um mundo cujo sentido consiste numa existência chã.
A edição cuidadosa da Escória Comix é digna de menção, junto com o belo
adesivo e ímã de geladeira distribuídos aos que primeiro adquiriram a edição. A obra
continuará e o segundo volume já foi anunciado. Que venha mais expressão de
violência, niilismo e inclemência – quem desejar se entorpecer com o contrário disso
passe longe da mente doentia de Victor Bello.

Sobre os Autores:

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Hernandez Vivan Eichenberger. 31 anos, filosofia, ciência, literatura. professor e doutorando de filosofia

Victor Bello: “quadrinista, 22 anos, joinvilense”

 

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