PRIMEIRAS IMPRESSÕES+SORTEIO | Dois Contos, W. Teca

É muito difícil, a meu ver, trazer à superfície cristalina da explicação aquele misto de ideias e sentimentos que brota do encontro imediato – e sem precedentes – com um texto. Especialmente quando o texto em questão é de natureza literária, isto é, um texto no qual a força do seu estilo, por vezes, causa uma certa vertigem. E posso dizer que Dois Contos, de W. Teca, livro composto, como o título sugere, por dois contos, encaixa-se perfeitamente no quadro dessa experiência vertiginosa, um tanto pitoresca, que é a primeira leitura de um texto literário.

Logo de início, senti que o primeiro conto, intitulado Conga na boca do cachorrão, fazia um certo apelo ao banal, ao orgânico, ao escatológico, às desventuras cotidianas de uma vida desqualificada – como costumo dizer: nada de heróis metafísicos ou arautos morais; e que, portanto, o autor não foge – ou, no limite do seu estilo, esforça-se para não fazê-lo – aos gritos vida, mesmo e, sobretudo, quando os acontecimentos que a compõem beiram ao absurdo, à obsessão e à desintegração. Tratando-se, nesse caso, do mesmo apelo de escritores como Miller ou Ginsbourg, que buscavam, cada um à sua maneira, fazer da própria vida, naquilo que ela carrega de mais abjeto, porém verdadeiro, a matéria prima da literatura.

capa modelo 2 FINAL
capa: Clube de Livros

Como um amante da literatura maldita americana, obviamente, não pude deixar de me interessar pela busca do autor, busca essa marcada, como dito acima, pelo signo de um esforço na direção de unir a literatura à vida. Esforço observado não apenas no conteúdo, mas também na estrutura do primeiro conto. Muitos teorizaram que aquilo que se exprime na arte é a própria vida tornada, justamente, uma força expressiva de valor inigualável. E não pude deixar de perceber isso em cada gesto das personagens, em cada página que avançava numa velocidade quase louca, como que um aceno breve, porém enérgico, para o mundo tal como ele é, em outras palavras, o mundo da vida – mas da vida dos homens infames.

Sobre a capa do livro, não posso deixar de mencionar que ela dá o tom do que o leitor pode esperar. Fica logo evidente que se trata de histórias urbanas, que ocorrem na noite povoada por criaturas afinadas com as luzes amareladas das ruas e dos becos. Mas, principalmente, ao lado desse sentimento de cidade, há também um certo sentimento de marginalidade, de boemia.


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Sobre o autor

Raony Moraes
Resenhista do Clube de Livros, estudante de filosofia em hiato acadêmico, desenvolvedor independente de jogos eletrônicos e escritor amador. Catarinense de nascença, vive atualmente no interior de SP, mas pretende retornar à Curitiba, cidade que considera a sua verdadeira casa. 🙂

Raony Moraes

Resenhista do Clube de Livros, estudante de filosofia em hiato acadêmico, desenvolvedor independente de jogos eletrônicos e escritor amador. Catarinense de nascença, vive atualmente no interior de SP, mas pretende retornar à Curitiba, cidade que considera a sua verdadeira casa. :)

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