PRIMEIRAS IMPRESSÕES + SORTEIO | Ele precisava ir, Felipe Melo

Eis aqui a prévia da resenha do trabalho de mais um dos escritores surrealistas brasileiros, Felipe Melo.  Buscando compreender aspectos visuais e físicos do objeto-livro, Tarik Alexandre investe numa leitura cômica e curiosa do início do romance Ele Precisava Ir.

Ele Precisava Ir
Autor: Felipe Melo
Editora: Página 42 Editora
Ano:  2014
Sinopse:  Se quem diz que não existe livre-arbítrio tem razão, não foi culpa dele a decisão de partir naquela manhã. Também não é culpa dele aquele mundo, aquela Natureza, aqueles iguais. Mas é de responsabilidade dele a descobertas das causas primeiras daqueles efeitos mundanos que os milênios não suavizaram, e portanto, é obrigação dele, suportar as consequências de tal conhecimento. Aquele é o mundo  que o tempo não muda, e daquele mundo não restam muitos caminhos por onde escapar. Assim, que não se culpe a ele por ter tomado o caminho mais rápido, pois ele tinha pressa, ele precisava ir.

As  primeiras impressões de Ele precisava ir são interessantes uma vez era que mal tinha sido comunicado de que o livro chegaria a mim por correio e o carteiro estava na minha porta para entregá-lo.  Veio naqueles sacos plásticos de cor ordinária de entrega  que nunca nem lembramos qual cor é já que imediatamente o descartamos para poder ter em mãos – e de uma vez por todas -,  o nosso estimado produto.  Uma sacolinha pequena com um livro quadrado (perfeitamente cúbico, talvez), com as capas em papel craft.  As ilustrações de Carolina Mancini já impressionam pelo fato de termos um pangaré com fones de ouvido  a beijar um homem logo na capa. Fiquei atônito. Por uns momentos pensei: o que esperar desse livro?

Repassemos minuciosamente as características: um livro pequeno, quadracúbico digamos assim, com um cavalo apaixonado numa cena zoofílica e lá no canto o nome do Felipe Melo. Ele precisava ir? Ir até o ponto de beijar um equino? Talvez.  Na contracapa, temos o perfil do autor, com uma foto animada (de fones de ouvido, mas sem beijo e nem cavalo), contando uma breve biografia.  Qualquer pessoa em uma  sentada lê o livro: espaçamento grande, letras grandes, cheio de ilustrações, aquela alegria  infantil de encontrar livros repletos de figurinhas. Adoro figurinhas. Dá até gosto folhear e tentar adivinhar a história a partir delas, como se fossêmos leigos medievais lendo as margens do texto bíblico com as iluminuras e aprendendo a palavra sagrada a partir da imagem.

É evidente que não se trata de um romance ordinário, até porque é pouco provável que venha a ter um começo, meio e fim seguindo estritamente as grandes ordens celestiais aristotélicas que encheram de ternura os corações de Racine e de outros dramaturgos franceses no século XVIII em prol da “perfeição artística”. Estamos bem longe de uma obra imaculada pelos deuses da mímesis e de qualquer tipo de referência aos colossais clássicos e musas. Quem sabe, na melhor das hipóteses, seja um livro regado a devaneios. Ele precisava ir a um delírio de se enroscar em amores com um animal no interior do papel craft. É plausível. Ele precisava ir a qualquer lugar, a um quadracubo de 92 páginas para lugar nenhum. É justo, justíssimo.

Vamos acompanhar a necessidade do narrador e os seus arreios (ou anseios).


O autor disponibilizou pra gente um exemplar do livro. Se você quer participar, basta comentar este post. O sorteio acontecerá daqui 1 mês (dia 26 de Julho).

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2 comentários em “PRIMEIRAS IMPRESSÕES + SORTEIO | Ele precisava ir, Felipe Melo

  • 17 de julho de 2018 em 15:54
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    Muito bom, participando!

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