DICAS | O papel do crítico literário (parecerista)

Quem conhece os serviços SOS do Clube de Livros já deve ter visto que temos os chamados “leitores beta”. Certamente, já viram esse nome “leitor beta” por aí, pois foi assim que esse termo se popularizou no meio: significa uma pessoa, com certa carga de conhecimento (basicamente, MUITA leitura) que irá ler o seu texto e dar uma opinião crítica, acerca de questões mais focadas no andamento da história, personagens ou trama, enfim, na parte criativa e estrutural (mas não tanto técnica, no sentido gramatical). Assim, através dos olhos dessa pessoa, o autor poderá ter uma ideia da reação do público. Mas isso é, de certo modo, algo informal, visto que muitos desses leitores críticos (ou betas) não tem uma formação literária ou envolvimento mais profundo com o mercado editorial.

Houve um tempo em que a crítica literária era tão visada que os críticos viravam pessoas ilustres, sendo considerados intelectuais influentes. Na verdade, um bom parecerista é certamente influente, embora talvez, tenha perdido um pouco do “glamour de outrora” – sabe aquele negócio de era do rádio? Dourado, casas noturnas, pessoas finas e chiques, mulheres vestindo peles, Hollywood anos 20, essas coisas – Afinal, as pessoas dependiam exclusivamente de críticas de arte, publicadas em jornal impresso, para ter alguma ideia do que se tratava um livro, peça ou exposição.

Pois bem, o glamour pode ter ido com a era digital e as facilidades do mundo contemporâneo, entretanto, o crítico literário persiste e é muitíssimo necessário. Você sabe qual é o papel dele (também conhecido pelo nome parecerista)?

Percebi em uma rápida pesquisa que boa parte das pessoas atribui funções ao crítico que na verdade não o pertencem. Muitas dessas, na verdade, são papel ou do editor, de um revisor ou mesmo de um copidesque, algumas vezes quase o de um professor.

Então, o que ele faz e qual sua importância?

O parecerista é o profissional que tem a missão de ler e criticar o texto, que pode ainda não ter sido apresentado à uma editora, ou mesmo, a pedido de uma editora que deseja saber da qualidade de um texto que pretende publicar. Somente por essa informação, podemos inferir que à esse profissional é pedido – além de conhecimento técnico da norma culta – uma grande carga de conhecimento literário, que certamente passará desde as grandes obras literárias da humanidade (uma boa quantidade claro, mas não tudo!) até, mais especificamente o nicho de mercado que ele costuma trabalhar.

“Desde as obras literárias até as técnicas, todos os textos passam por essa análise, e os aspectos avaliados são muitos: qualidade do texto, estrutura da obra, veracidade de informações, viabilidade econômica de publicação, interesse do mercado pelo assunto etc. As editoras pagam por esse serviço”. (Marisa Moura “a decisão pela leitura crítica”)

Caberá ao parecerista apontar os erros e acertos em seu texto, sugerindo alguma mudança, pesquisa ou implementação conveniente. É preciso entender que, quando seu texto chegar à mão desse profissional, ele deve estar finalizado: revisado e copidescado de preferência (não sabe o que é isso? Leia mais aqui) – Pode ser que, depois da crítica, você vá precisar alterar e passar pelo processo de revisão/copidesque novamente – pois para avaliar a qualidade do texto, quanto mais refinado ele estiver, melhor.

Ou seja, não cabe ao parecerista apontar erros gramaticais, ortográficos ou de coesão. Claro, se houverem, ele irá dizer, mas pode ser que não os aponte especificamente e fale apenas no geral da existência deles.

Também não cabe ao parecerista criticar ao ponto de “ensinar” o caminho das pedras ao autor, como pegar todos os trechos onde exista alguma incongruência e dizer como o autor poderia melhorar aquilo em específico – especialmente se houver muitas passagens com problemas semelhantes. Caberá ao parecerista escolher se ele quer falar desses pormenores ou não, afinal, quando um texto chega às suas mãos, é pressuposto que o autor já tem domínio da escrita e que não precise ser ensinado, apenas alertado de que há o “problema X” no seu texto.

“Viver a experiência de obter uma leitura crítica de sua obra implica, antes de qualquer coisa, em entender claramente que tudo o que o parecerista expõe em seu relatório nada mais é do que aquilo que ele compreendeu e/ou absorveu da obra lida. Assim, antes de contestar a análise recebida ou simplesmente alterar de imediato o texto, reflita sobre esse feedback, lembrando que foram as palavras escritas por você que levaram àquela interpretação do leitor crítico”. (Marisa Moura “a decisão pela leitura crítica”)

Podemos entender então, que a avaliação desse profissional é importante para o autor e para o mercado.

Claro, é preciso ver que, caso queira procurar os serviços de leitura crítica, precisa ter uma ideia do intuito do seu texto, se você quer comercializa-lo, ou se, independente disso, está buscando um trabalho mais inclinado à qualidade artística – talvez até de aspecto mais pessoal do que mercadológico. Dependendo dessa inclinação pessoal do autor, o parecerista poderá fazer sua avaliação, levando em conta esses aspectos.

***

E então pessoal, começaram a avaliar a possibilidade de submeter seu trabalho a uma leitura crítica?

Espero que esse post o tenha ajudado a entender um pouco mais sobre o trabalho do parecerista e como esse profissional pode ajudá-lo em sua jornada de escritor. Nosso intuito com ele é apenas informar sobre seu papel e importância, para que você, autor independente, compreenda o caminho que está seguindo e possa escolher pelas melhores opções possíveis. Certamente, este texto não contém verdades absolutas e sempre é recomendado que converse com um profissional da área, pois como sabemos, cada um trabalha a seu modo, tendo suas características.

Mas aguardem, estamos preparando uma entrevista com uma parecerista e em breve postaremos aqui, certamente irá ajudar a todos nós a entender melhor como esse trabalho é feito e como podemos lançar mão do uso desse profissional.

Caso você tenha alguma pergunta que gostaria de ver respondida por um parecerista (no tocante à sua profissão), comente aqui! Vamos levar as perguntas de vocês quando fizermos a entrevista!

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Sobre o autor

Lua Bueno Cyriaco
Administradora do Clube de Livros, Produtora e organizadora do Concurso Literário Autoramente! Ilustradora e quadrinista - Formada em Artes Visuais (FADM-UNOPAR), graduanda em letras Japonês (UFPR) Assina os cadernos e marcadores da própria marca Lunares.
Uma brasiliense no frio de Curitiba.

Lua Bueno Cyriaco

Administradora do Clube de Livros, Produtora e organizadora do Concurso Literário Autoramente! Ilustradora e quadrinista - Formada em Artes Visuais (FADM-UNOPAR), graduanda em letras Japonês (UFPR) Assina os cadernos e marcadores da própria marca Lunares. Uma brasiliense no frio de Curitiba.

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