MATÉRIA | Relato de uma quadrinista – parte 2, por Amelia Pessoa

Dando continuidade a PARTE 1, segue aqui mais algumas informações sobre o processo de criação do quadrinho Kings Club, de Amelia Pessoa.

PS: Pra quem chegou agora e ainda não conferiu o link da parte 1, a Amelia Pessoa é uma quadrinista que publica a sua Graphic Novel em alguns sites de webcomic (tem vários geralmente em inglês, é bem parecido com os nossos velhos conhecidos Luvbook ou Wattpad)


Desenhos dos personagens (ou Designs dos personagens)

Os Gambinis
Eles são italianos. E parecem mais uma invasão loira, mas isso tem uma explicação (sinistra).p2img1

Técnicas de desenho
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É sempre difícil de trabalhar com as semelhanças. Então, eu estudei a estrutura facial dos personagens antes de saltar para a arte interior. Normalmente eu desenho usando lápis e papel. Porque minha noção de espaço é melhor com métodos “analógicos”

Alguns autores me perguntam como manter as semelhanças entre os personagens. Aqui está como eu lido com essa “tarefa”:

p2img3A silhueta dos elementos faciais pode ajudar a encontrar  a proporção “ideal”, mantendo as semelhanças. A distância dos olhos, a boca, a testa, o tipo de cabelo, o queixo e as sobrancelhas são usados para entender as formas.

Processo narrativo
Alguns criadores de quadrinhos pediram por isso. Eu estou ampliando meu processo narrativo falando no nosso bate-papo de cada capítulo (aqui, Amelia se refere aos seguidores dela da webcomic). Aqui vamos nós:

Previamente, foi mencionada uma visão geral da estrutura do enredo (trama) em que eu trabalho. Nessa conversa falarei da estrutura e da “forma”. Sobre a estrutura do enredo, eu disse:

“ENREDO: toda a história é escrita, do começo ao final, em um único parágrafo. Aqui, eu analiso opções. A estrutura é testada. E se eu acreditar que as bases são sólidas, eu começo a trabalhar em cima disso.”

p2img4Mantendo um progresso orgânico em mente, a estrutura de uma história tem a sua própria forma, ou formato. Eu sou uma narradora visual, por isso é comum que eu siga um conceito narrativo visual, como proposto no livro “The anatomy of story” de John Truby.p2img5

Uma forma orgânica de história faz referência ao movimento. Cada história tem o seu próprio ritmo, o seu próprio padrão de movimentos. Um padrão de movimentos pode ser visualizado por meio de gráficos e diagramas.

Kings Club tem um formato de ramificações. A existência de um personagem no mundo da história é mais importante que o progresso de um personagem nesse formato de história. Com certeza isso não é uma jornada (história) de super-herói.

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O movimento sempre me faz pensar sobre… música! Kings Club seria mais como a abertura de Tchaikovsky (1812) do que a quinta sinfonía de Beethoven. É uma narrativa crescente e com tensão sendo acumulada, até que ela exploda com 16 canhões no seu clímax.

Se eu quero contar uma história, a primeira coisa que eu penso é na estrutura. Como uma casa, se a estrutura (base) não é sólida, o resto vai desmoronar.

No Chat Chapter #3, eu falarei da anatomia das ilustrações de capa, porque “Kings Club” é “Kings Club” e não “king’s Club” e como eu organizo os arcos.

Tchau!

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capa de Kings Club

Para quem curtiu, acompanhe o quadrinho online Kings Club, por enquanto disponível apenas em inglês, mas se muita gente pedir pra traduzir, acho que a Amelia cede hein? rs, basta comentar lá pedindo.

Para quem gosta de ler HQ pelo computador, aqui é mais indicado. Mas se você curte ler pelo celular, então aqui tem uma versão mais adaptada pra mobile.

Esses textos, a autora coloca entres os capítulos, então vocês podem achar esses e outros mais lá no quadrinho online de Kings Club. Divirtam-se!

Tradução: Maiara Afonso

 

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