MATÉRIA | Relato de uma quadrinista – parte 1, por Amelia Pessoa

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página de Kings Club

Amelia Pessoa é uma quadrinista com mais de 10 anos de experiência nessa área. Faz alguns anos que ela trabalha apenas com o mercado americano, tendo feito entre seus trabalhos uma capa para Who wants to be a Super Hero (Dark Horse), e a arte interna dos quadrinhos: The New Avengers (Marvel Comics), Mercy Thompson series (Dynamite Entertainment),  Gates of Midnight series e Mary Shelley Presents series (ambas da Kymera Press). Embora tenha alguns tantos projetos na gaveta (levante aí a mão quem está na mesma situação!), neste ano ela começou a lançar seu quadrinho online: Kings Club.

Existem plataformas de autopublicação especiais para quadrinhos (tipo as que existem pra livro), mas elas são todas em inglês. Por isso, como o público que se formou para ela é de lingua inglesa e isso atinge um maior numero de pessoas, ela optou por fazer seu quadrinho nesse idioma. Para quem quiser conhecer, basta acessar aqui para a versão desktop (melhor pra ler no computador) ou aqui para a versão mobile (ideal para ler no celular).

Pensando em histórias como narrativas, convidamos a Amelia para compartilhar um pouco do seu processo criativo conosco: assim publicamos a tradução de um texto dela que faz parte de um “extra” publicado junto com seu quadrinho autoral. Acreditamos que como criadores de histórias, sempre é legal ver o processo criativo e organizacional de outro colega (mesmo que ele utilize um supor diferente do nosso).

Fiquem agora com as palavras dela.

Lua Bueno Cyríaco


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portifolio online

Ao final de cada capítulo eu vou falar sobre o processo criativo e o progresso visual (evolução) através dos anos. Sim, Kings Club começou em 2008. Há muito tempo atrás.

A personagem principal: Cyrenna Gambini. Ela foi a personagem mais difícil de estabelecer o estilo. Ela “nasceu” antes mesmo de eu decidir fazer esse romance gráfico. Para evitar spoilers, não vou mostrar a sua primeira versão. Mas aqui estão os estudos para a sua versão anterior – anos antes dela se tornar o que é (que vocês verão no futuro) presente nessa história.

Cyrenna Gambini

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versão 1

versão 1: Uma gangsta lady assim? Não era a minha intenção fazer ela tão… cara de pamonha. Não, eu não gostei. Eu queria seguir o seu “eu mais velho” seu estilo anterior (aquele pensado primeiro). Na sua aparência e personalidade.

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versão 2

Versão 2: Está quase lá. Ela parece um pouco mais com a sua versão anterior (original). Mas, não chegou lá ainda.

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versão 3

 

versão 3: E essa é a versão final, com uma característica feroz (marcante. firme) que lembra a sua versão antiga e original. Ela não tem uma beleza dominante (comum), com suas características faciais dramáticas.

A pesquisa foi um processo lento e comprido. E eu levei bastante tempo para encontrar a pessoa certa pra me inspirar na criação da Cyrenna. Acabei encontrando a Tasha Tilberg, seu rosto e seus modos. Eu vi muito da Cyrenna nela, então eu pensei “é ela” (talvez com um pouquinho de Charlize Theron e o seu jeito de garota durona).

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Normalmente eu não me importo em encontrar uma pessoa real “certa” para o desenvolvimento de um personagem. Mas como havia um jogo sendo desenvolvido com os mesmos personagens, eu tinha uma grande base de imagens e vídeos para me inspirar.

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“Um trabalho em andamento, no modelo do jogo, de um desenho feito com Sculptris e 3Ds Max. Mostrando que em alguns casos é melhor ter uma pessoa real como base. (aviso: trabalho em andamento de um jogo antigo, feito com um software antigo).”

Os Kings

Oh, os Kings. Eles são os primeiros personagens criados no universo do Kings Club.

Enquanto eu pensei o Rei das Espadas como alguma coisa entre um Robbie Williams bombado e Nathan Jones (um antigo lutador de WWF)…
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o Rei de Ouros foi baseado no Franco Nero. Sim! Culpada! Eu sou uma fã dos filmes de faroeste espaguete.
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Processo Narrativo

Organização – partes separadas (A técnica “Flocos de neve” foi uma grande inspiração)

Nota: Esse é o MEU processo narrativo, não é o jeito certo ou o único jeito. É apenas o meu jeito.

Enredo -> toda a história é escrita, do começo ao final, em um único parágrafo. Aqui, eu examino (exploro. testo) opções (opiniões). A estrutura é testada. E se eu acreditar que as bases são sólidas, eu começo a trabalhar em cima disso.

Arcos -> Um paragrafo para cada arco. Aqui eu verifico a consistência do enredo e começo a trabalhar com a linearidade, para criar uma narrativa não linear.

Cenas -> Cada arco tem cenas separadas em quantas cenas forem necessárias para desenvolver a ideia dele. Essa é uma das partes em que eu gasto mais tempo trabalhando/reescrevendo.

Diálogos -> Os diálogos carregam a essência dos personagens, as suas motivações, pensamentos e reações. Eu encaro isso como a reação final dos personagens.

Rearranjo -> Eu separo tudo novamente, estudo parte por parte e reorganizo tudo, tentando melhorar a sintonia (o ritmo). Para mim, essa é a parte mais importante para controlar o ritmo, porque eu tenho uma visão geral.

Continua…

 


E aí, pessoal? Curtiram esse pequeno relato da Amelia sobre seu processo? Bem, tem mais uma parte que vamos publicar mais pra frente, não deixem de acompanhar!

Tradução: Maiara Afonso
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Um comentário em “MATÉRIA | Relato de uma quadrinista – parte 1, por Amelia Pessoa

  • 3 de maio de 2018 em 19:56
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    Sim, pessoal! Trabalhar com quadrinhos é muito difícil, mas trabalhar no próprio quadrinho é mais complicado que fazer algo para um cliente/editora. A parte mais difícil é a luta interna do seu empresário interior com o seu artista interior. São dois pensamentos e metas completamente diferentes, e admito que entendo um pouco mais as editoras depois de passar por isso. Para o pessoal que cria quadrinhos online, vocês são verdadeiros lutadores! A dinâmica e velocidade para quadrinhos online é insana e o velho quadrinho mensal ainda é mais tranquilo que esse ritmo frenético online. Tiro meu chapéu para os totalmente “online comics”. Abraços!

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