INUTIFILIA | O Dandismo Carrara no Vaporwave, parte 1

Na mais nova edição do Inutifilia,  estabelece-se  uma possível ponte entre o dandismo e o vaporwave. Utilizando as figuras nacionais de Agostinho Carrara e Chiquinho Scarpa, Tarik Alexandre busca apresentar o esquizoide movimento dos anos 2010 em conformidade com o brega oitentista brasileiro e o sintoma dândi de sua reaparição.

No episódio 7 da terceira temporada de Apenas um Show (2010), desenho criado por J.G. Quintel, Mordecai e Rigby  trabalham no parque utilizando um carrinho de golfe, o que os confere a titulação de “cool”, uma vez que andam de carro e fazem manobras radicais com ele. Benson, chefe e responsável pela gerência do parque, cansado dos maus tratos feitos no carro pelos dois, troca o carro por duas bicicletas para trabalharem sem mais despesas. No entanto, Mordecai e Rigby desafiam Benson a devolver o carrinho de golfe uma vez que provassem se tornarem suficientemente “cools” com as bicicletas.  O desafio é levado às últimas consequências ao ponto de que o comitê intergaláctico intervém a fim de prender Mordecai e Rigby por terem quebrado a regra universal de serem “cool” demais.  Independentemente do desfecho, o cool é levado tão a sério que a excentricidade se torna a regra do bem-vestir e do estilo. Apesar de ser um enunciado extremamente ridículo e de um desenho animado, não podemos deixar de observar certa correlação com alguns fenômenos que ocorrem no meio cultural. Diante do caso desse episódio, me lembrei de ter encontrado recentemente na internet algo surpreendente no que dizia respeito ao “cool”.

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Capa do álbum Floral Shoppe (2011) de Macintosh Plus

Acessando recentemente o Youtube descobri, para minha surpresa, que as pessoas ainda fazem remixes de Macintosh Plus.  O símbolo kitsch e controverso criado em meados de 2011, fundador do polêmico e excêntrico vaporwave, ainda resiste nos oceanos não tão abissais assim da internet. Floral Shoppe (2011), álbum realizado por Ramona Xavier (também conhecida como Vektroid), isto é, o famoso Macintosh Plus, ganhou extrema notoriedade pelos seus aspectos extremamente caricatos e desconstrutivos. Nada mais é do que um estilo musical eletrônico que utiliza recortes de inúmeras músicas do período dos anos 80 e 90 (conhecidos por plunderphonics, ou ainda rapsódias) com baixa qualidade sonora a fim de criar um ambiente de desconstrução musical. Tal desconstrução tem o propósito de demonstrar uma relação de iconoclastia e retomada paródica dos valores estéticos dos anos 80/90 como um estilo fragmentário, kitsch e de vida: o A E S T H E T I C S (insira aqui algumas palavras em japonês para dar uma sensação de estranheza). De forma mais paradigmática, pensemos nas músicas célebres que seus pais/familiares costumam ouvir quando lavam a casa ou andam no carro e falam delas como uma espécie de Era Dourada da música (a saber, ouviam compulsivamente Simply Red e George Michael) e que agora são colocadas em samples distorcidos com o intuito de criar uma sensação de “soul music adulto-contemporâneo picada, distorcida e parafusada ao lado de melodias de spa promocional”, como afirma a artista Vektroid.

O aspecto interessante e constitutivo desse espanto é: como ainda sobrevive esta retomada dos anos 80 e 90 nos movimentos da música contemporânea? Ainda mais intensamente é como esse movimento atinge as pessoas ao ponto de sermos surpreendidos com pessoas usando carros antigos e roupas coloridas e extravagantes como premissa estética válida, como recém tivessem vindo do Narcos ou qualquer coisa parecida. Parece existir uma premissa mágica dentro desse período que, insistentemente, vemos a mistura do brega com o cool por todos os lados. Tratando-se de um assunto de grande abrangência e debate, enfatizo fazer um recorte mais preciso com a relação do vaporwave e seus desdobramentos com o dandismo e algumas imagens bregas brasileiras. Para isso, pretendo dividir este Inutifilia em duas partes, em que esta é a primeira parte no qual explico mais sobre o vaporwave e estipulo algumas considerações mais gerais e que, na segunda parte, pretendo aprofundá-las e relacionar com outros aspectos que, para não ficar um texto muito extenso, serão omitidas.

 

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Cena do filme Scarface (1983) de Brian de Palma. Famoso pela cena da motossera, o filme apresenta um estilo estético bastante recorrente no estado da Califórnia,  período em que o tráfico de cocaína era extremamente visado (e enredo do filme). Notamos de imediato uma ambiência paradisíaca/caribenha com cores vibrantes, imagens crepusculares e palmeiras que são recorrentemente recicladas pelo vaporwave.

É possível observar que há na cultura dos anos 80/90, oriunda de uma relação controversa com a conturbada situação política do ocidente naquele período, certo preciosismo e fetichismo em relação a seus costumes: as propagandas da Marlboro e Hollywood nunca foram tão bem elaboradas, as pessoas andam de Jet-skis, fumam cigarros sorrindo com clareamentos dentários, crepúsculos alaranjados e demais características de estereótipos (ou ainda os famosos “tipos” de Foucault) da felicidade que poderiam servir a clipes do Duran Duran. O capitalismo tardio, diante de crises de petróleo, guerra fria, a emergência dos Yuppies e toda a cultura de Wall-Street (cultura popularizada pela abordagem de Scorsese (2013)) são um cenário que, em um primeiro momento, seriam muito mais dados ao caos do que propriamente a uma belle époque ao estilo de Friends (1994) ou Um Maluco no Pedaço (1990). Porém, de modo paradoxal, temos a formação de um estilo cultural e musical dado a tratar da elegância, carros grandes e caros, esportes refinados, letras românticas e um fundo abissal que cheira a meritocracia e o terror da arte mercadológica feita a partir de carreiras meteóricas de singles.  É como se houvesse dentro da expressão artística e cultural dos anos 80 e 90 uma necessidade de expiação das crises econômicas e sociais que pudesse ser elaborada a partir de uma arte dada à extravagância, excentricidade e retoques de exagero para fugir da austeridade do mundo: a não ser que você realmente acredite que mullets e o visual do Billy Idol sejam realmente aspectos notórios da sobriedade no que se refere ao bem-vestir.

Eis aqui a pertinência – ou ainda a não pertinência intencional – do vaporwave enquanto formador de A E S T H E T I C S: a capacidade de retomar o refúgio “dourado” da cultura capitalista em um método musical desconstruído que louva e simultaneamente despreza esses valores. A extravagância e o fútil se fazem, portanto, como limiares no interior da estética do vaporwave, pois são constitutivos de uma distorção dos valores estéticos de forma intencional com uma finalidade crítica, de remodelação, e de sátira a fim de uma nova experiência (conceito esse bastante extenso, que pretendo retomar mais demoradamente na segunda parte).  Não por acaso a capa do Floral Shoppe (e de tantos outros álbuns, como das bandas Windows 96, Luxury Elite, Blank Banshee, Roman, Vector Graphics, etc.) se constitui de paisagens que misturam aspectos clássicos ,como um busto Greco-romano, num plano que mais se parece um chroma key rosa, uma cidade crepuscular e letras japonesas a capa possui um demonstrativo de um mélange cultural que funde e assegura um aspecto de baixa qualidade/amadorismo no trabalho. Em outras bandas podemos observar as capas feitas com objetos 3D produzidos por programas de renderização mais arcaicos que lembram, sem grandes dificuldades, os gráficos 3D das CGs do Playstation 1 e das animações do Windows 95, o que de alguma forma visam garantir uma expressão de nostalgia (apesar de algumas ressalvas quanto a esta expressão uma vez que se trata de uma concepção limiar entre preciosismo e ridicularização), com a cultura dos últimos 20/30 anos.

 

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É muito comum no uso do vaporwave o uso dos glitches, isto é, falhas na imagem como aquelas das fitas de videocassete (VHS) davam quando eram rebobinadas ou então de má qualidade.  Este uso de renderização de baixa qualidade permite criar um ambiente decadentista e ao mesmo tempo proprositalmente sucateado.

O vaporwave está longe de ser somente um estilo que adquiriu notoriedade por debochar dos seus pais ou daquele seu tio romântico que ouve Lou Rawls e Brian Adams a sério.   Pelo contrário, é a busca a utilização desse pastiche do brega em prol de uma demonstração de uma cultura virtual. É digno de nota lembrar o conceito de rizoma em Gilles Deleuze (Mil Platôs v.1 (1980)) que traz à tona a concepção da raiz da grama para falar de uma rede de conhecimentos e elos que formam uma estrutura de pensamento fragmentária, porém coerente e coesa. Talvez pudéssemos garantir ao vaporwave a tentativa de estabelecer um rizoma entre os anos 80/90 e uma nova forma de interpretação desse passado.

 

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Retrato de Conde Robert de Montesquiou (1897), de Giovani Boldini. Robert de Montesquiou é um exemplo clássico do dandismo do século XIX, sendo sua imagem associada a elegância e erudição. O escritor Marcel Proust em seu livro Em Busca do Tempo Perdido utiliza a imagem do conde para formar seu personagem mais polêmico e instigante: O Barão de Charlus.

O A E S T H E T I C S se aproxima de modo evidente através de sua fragmentação de um fenômeno bastante caro à cultura ocidental já de longa data: o dandismo. O dândi, por definição, é aquele que “se preocupa demais em se vestir bem” (AURÉLIO, p. 216), ou, em definições mais suspeitas como aquele que pretende “imitar um estilo de vida aristocrático apesar de oriundo de uma classe média especialmente no final do século XVIII e o começo do século XIX britânicos” [A dandy could be a self-made man who strove to imitate an aristocratic lifestyle despite coming from a middle-class background, especially in late 18th- and early 19th-century Britain]. Considera-se, portanto, que o dândi é o sujeito bem afeiçoado que pretende seguir valores elevados do ponto de vista estético, independentemente de sua classe social (aliás, fenômeno esse eminentemente burguês em prol de se equiparar com a nobreza). Poderíamos até mesmo afirmar que o dândi seria aquele detém de “bom gosto” e que estaria em conformidade com as normas da etiqueta. Porém, observemos o que diz Walter Benjamin em seu livro Passagens (1982) a respeito do flâneur (tema este já abordado em outros texto, como o do Dark Souls): “Em 1839, era elegante levar consigo uma tartaruga quando se passeava. Isto dá uma ideia do ritmo do flanar nas passagens” (BENJAMIN, p.467). O flâneur, portanto, corrobora com a ideia de uma excentricidade estética como demonstrativo de um ethos, a saber, o de vagar de modo despretensioso pelas ruas utilizando um acessório incomum e que, por sua vez, pretende incluir um novo modo de relação com a realidade. Em outra passagem, Benjamin diz que a moda consiste de dois máximos extremos: frivolidade e morte (BENJAMIN, p.108). Ora, podemos pensar que a vestimenta, antes de se considerar mera indumentária, é também aspecto estético que determina um estilo ou um modo de vida. Se pudéssemos pensar um pouco mais sobre o flâneur, poderíamos estipular que o ato de flanar não se resume somente a uma perspectiva física, a saber, do ato de caminhar através das ruas de maneira desordenada. Pelo contrário, o flanar pode ser também um ato virtual do pensamento: desde aquele momento em que passamos na internet surfando ou fazendo pesquisas randômicas, deslizando a linha do tempo no facebook ou até procurando torrents por aí é uma flanerie. Nessa perspectiva, o flanar através da virtualidade  é uma atividade do vaporwave (e, por sua vez, do A E S T H E T I C S) na medida em que este passeio sem rumo vaga através da cultura dos anos 80 e acaba por corroborar em certa medida com o dandismo. O vaporwave busca em sua distorção também impor uma nova “roupagem” a velha guarda da cultura oitentista para que se torne risível, curiosa e, simultaneamente, fascinante.

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Retrato do literato Oscar Wilde (1854 – 1900). Famoso pelo romance O Retrato de Dorian Gray (1890), Wilde também consumou sua popularidade em função de suas relações homoafetivas (que escandalizaram a sociedade vitoriana) e o levou à prisão. Wilde é célebre por seu estilo refinado e elegante, o que contrastava com seus modos contraventores para os padrões do século XIX.

Observemos que o modo de vestir do dândi, em sua pretensa expressão do bom gosto, se comporta mais como uma afronta e uma tergiversação de um status quo nobre e elevado para propor uma novidade, afrontando os valores estabelecidos com de perspectivas de aparência que não têm a menor intenção de serem válidas e permanentes. Impossível perder de vista Charles Baudelaire, responsável pela tomada do sentido de flâneur, era proveniente de uma família abastada que não só gastou toda a herança da família como também vivia envolvido em hábitos hedonistas e dado a práticas ilícitas como drogas e jogos (um bom exemplo é o livro Paraísos Artificiais (1860) no qual Baudelaire discorre sobre a experiência das drogas no âmbito artístico) de tal forma que o conduzem como um reprovável em vez de um poeta. O dândi flana na medida em que se torna um protagonista desse tipo de ethos excêntrico em que a necessidade de uma nova experiência é que motiva o surgimento de modos alternativos das vivências. Desta forma, podemos compreender brevemente que a flanerie e o dandismo são passíveis de serem unidas na medida em que a contravenção, a ociosidade e o refinamento estético são características que surgem pela  reformulação dos modos de vida burgueses e que são acometidos pelo enfrentamento da vida do trabalho, já que as normas sociais estéticas vigentes em prol de uma apreciação estética do mundo não garante mais uma experiência válido do mundo e nos permite dizer que amamos as nuvens que passam lá longe, as maravilhosas nuvens! O dândi acaba por flanar na medida em que ele se coloca como um contraventor da experiência ordinária e burguesa, pois busca adqurir uma nova relação com o mundo que escape à normatização dos modos de vida. Logo tanto o ato de flanar como a prática dandista são tipos estéticos de subversão de uma normalidade social que imperava ao longo do século XIX e que se estende a nossa contemporaneidade. A figura do dândi que sempre nos remetemos como Oscar Wilde, Marcel Proust, João do Rio, etc. é assegurada pela extravagância unida do refinamento e que, agora, se projetam em um agir excêntrico, folclórico. O A E S T H E T I C S poderia ser também aproximado dessa perspectiva na medida em que se vale de uma cultura mainstream determinada pela identidade de um bom gosto burguês e que agora se revolve em uma esfera de desconstrução e sátira com músicas distorcidas e pessoas que utilizam óculos enormes com copos de abacaxi, como o personagem Agostinho Carrara (ou ainda Tommy Vercetti do GTA Vice City (2002)) e o playboy Chiquinho Scarpa. O vaporwave, portanto, é composto de usuários da internet que flanam e que se valem de uma relação com os objetos culturais do passado e que, diante de um mélange atípico, voltam com uma roupagem outra que afirmam a etereidade e efemeridade  através da música, num dandismo virtual.

Em um documentário Frozen Capitalism: Haunted by Vaporwave, somos convidados a conhecer o trabalho de Grafton Tanner a respeito do Vaporwave a partir do livro Babbling Corpse (2016) como sintoma de uma decadência do capitalismo tardio. Ao longo do documentário, estabelece-se a premissa de que o vaporwave concebe o uso de elementos e aspectos dos costumes dos anos 80/90 em função de um esgotamento da sociedade dos anos 2010 em criar um conteúdo original. Sendo assim, o vaporwave estabeleceria uma ponte saudosista e nostálgica com o passado para que fosse possível adquirir um ideário estético e cultural a ser seguido.  Apesar de ser um argumento bastante forte e amplamente embasado (e eu não ter lido o livro de Tanner para poder afirmá-lo ou negá-lo de maneira contundente) me parece bastante forte a presença do dandismo no interior do vaporwave, o que o caracterizaria muito antes como um deformador do que propriamente um idólatra das imagens do capitalismo tardio. A saber, é possível observar um sentido positivo no pastiche estabelecido pelo vaporwave na cultura dos anos 80 na medida em que extravagância é também crítica.

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Agostinho Carrara da série A Grande Família. É notório como o personagem através da pretensa ideia de bem vestir acaba por utilizar elementos extravagantes para compor sua vestimenta. Há certo dandismo em Carrara na medida que sua intenção de vestimenta choca e ao mesmo tempo fascina.

No cenário nacional, somos remetidos a grandes pérolas do audiovisual que apresentam uma desconstrução do modus operandi da cultura burguesa oitentista como Hermes & Renato e a Grande Família (em especial o ilustre Agostinho Carrara): o comportamento não-protocolar, o se valer de premissas corriqueiras da sociedade burguesa e que são subitamente quebradas por atitudes e representações completamente anômalas e até de mau caráter. Vale lembrar que Agostinho Carrara (para não me estender falando do curioso caso do personagem Joselito em H&R), é um taxista que, utilizando de práticas oportunistas e roupas absolutamente extravagantes, representa um personagem carismático e ao mesmo tempo reprovável, tal como o pensamento do vaporwave se manifesta. Logo, o “Carrarismo” brasileiro formado por fords Del-Rey Ghia, camisas de palmeiras e cigarros derby junto do A E S T H E T I C S possuem uma sincronia na medida em que se apropriam de uma contravenção como uso da imagem da felicidade como fuga da austeridade capitalista fazendo disso uma zombaria.

É interessante recordar da extravagante declaração dada por Chiquinho Scarpa para a Record no programa Domingo Espetacular em que ele demonstra de maneira extasiada guardar dentro de um case de violino para viagens duas garrafas de champanhe, duas taças e um vidro caviar uma vez que afirma “não viver sem, é essencial” (11:40 em diante). Para além do caso digno de nota do enterro cerimonial de um Bentley, seu carro particular, Scarpa coabita o limiar do extravagante e ao mesmo tempo intencional ao ponto de podermos notar que a presença de um kitsch de alta proporção que o constitui dentro de um dandismo de colarinho branco.  Da mesma forma, poderíamos afirmar fenômeno semelhante com as camisas de seda/cetim de Agostinho, um homem classe média baixa e supostamente ignorante em termos de senso estético que crê através de um comportamento narcísico ser de um bom gosto impecável: atualmente moda entre os jovens alternativos.  Se pudéssemos cruzar ambas as imagens nacionais, Scarpa e Carrara, certamente poderíamos obter uma estética Pindorâmica: uma fusão entre o glamour carioca, as músicas de Marcos Valle e um Chevette. Em alguns trabalhos recentes, como os do artista Sleepdealer, samples de música brasileira são utilizados para a composição de músicas de lo-fi beats, fenômeno oriundo do vaporwave, synthwave e de outros estilos que de algum modo envolvem a estética do wave e samba brasileiro dentro desse processo de desconstrução.

OBSERVAÇÃO: Evidentemente este é um percurso bastante curto e que aborda aspectos de grande abrangência que necessitariam de maiores aprofundamentos. Porém, acredito que o grande interesse do trabalho em questão seria apresentar uma ponte possível entre o fenômeno musical da internet e a estética “carrarista” que podemos encontrar nos meios alternativos. Além disso, é muito comum a tomada por parte das pessoas como um deboche de mau gosto, do qual é uma música fracassada que não assegura uma qualidade artística. No entanto, acredito que do ponto de vista da proposta, a grande questão é justamente NÃO assegurar uma qualidade estética que seja memorável por isso, mas sim pela contravenção de um “mau gosto” e de musicalidade de um elevador chiado ou coisa que o valha. Pretendo na segunda parte explicitar um pouco mais a noção do “vapor”, as vinculações com o estilo tupiniquim e a noção de experiência rasamente abordada aqui.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BAUDELAIRE,  C.  Paraísos Artificiais. Trad. Alexandre Ribondi. L&PM Editores. Porto Alegre: 2011.

BAUDELAIRE, C., Pequenos Poemas em Prosa. Disponível em http://pequenospoemasemprosa.blogspot.com.br/ (último acesso em 24/09/2018)

BENJAMIN, W. Passagens,  Org. Willi Bolle. Trad. Irene Aron, Cleonice Paes Barreto Mourão, Patrícia de Freitas Camargo. Ed. UFMG. Belo Horizonte: 2007.

DELEUZE, G. Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia V.1 . Trad. Peter Pál Pelbart. Ed. 34. São Paulo: 1995

REFERÊNCIAS AUDIOVISUAIS:

O que é vaporwave? Mimimidias

Álbum Macintosh Plus – Floral Shoppe

Álbum Blank Banshee –  Blank Banshee 0

Álbum Windows 96 – One Hundred Mornings

Álbum Luxury Elite – World Class

Álbum Vector Graphics –  Midnight Love

Vaporwave Mix 

EP Roman – Palms

Entrevista Chiquinho Scarpa

Documentário Frozen Capitalism: Haunted by Vaporwave

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