RESENHA | Ganhadores do 2º Concurso Literário da revista AUTORAMENTE!

Como parte da premiação as três historias selecionadas por voto popular,

autoramente! 2
AUTORAMENTE! Nº 2 clique e conheça!

o blog do Clube de Livros se incumbiu de fazer resenhas em cima dos três textos vencedores.

Acompanhem as resenhas e não deixem de conferir o trabalho dos autores na revista AUTORAMENTE! Nº 2, tanto os vencedores, quanto os demais participantes

(para conferir basta clicar na imagem da capa da revista)

1 lugar: Cinza – No beco, um corpo seco

ganhador 1 concurso2Resenha por Felipe Cao

O texto ganhador do 2º Concurso Literário da Revista Autoramente! intitulado Cinza – No beco um corpo seco conta a história de Gilmar, um importante investigador da Polícia Civil. De origem humilde, pretendia ser delegado, porém teve seu sonho frustrado por não conseguir bancar os cursos preparatórios caros, embora tenha concluído a graduação em Direito. Passou então em um concurso público para detetive e acabou fascinado pelo dinamismo e os desafios da nova profissão. Por questão de segurança ocultava esse ofício dos moradores do seu bairro, já que vários dos seus amigos de infância, dos quais ainda mantinha contato, estavam envolvidos com o tráfico de drogas; dizia que era segurança particular para poder justificar o porte da arma que sempre carregava consigo. Certo dia, enquanto dançava com Michelle – seu eterno affair – numa roda de samba da comunidade, percebeu que seu amigo Lelê, que o tinha convidado para a “roda”, estava em apuros. Quando ficou sabendo que o amigo havia escapado de uma emboscada, resolveu voltar ao local para averiguar quem eram os responsáveis por aquela ação, já que por ofício sabia que a polícia não tinha nenhuma operação programada para aquele dia. Ao chegarem ao local, presenciou dois assassinados e, ao tentar salvar o amigo Lelê, cujo destino se aproximava do mesmo fim, acabou se tornando o centro de uma perseguição que colocou sua vida em risco. Em meio à sua fuga foi socorrido inesperadamente pela Chris, irmã mais nova do chefe do tráfego na região, cujo ciúme que alimenta por ela é conhecido por todos. Toda a hospitalidade e amabilidade de sua linda salvadora faz Gilmar pensar que talvez esteja pronto para entrar em uma nova situação de risco…

A história, narrada dinamicamente em linguagem coloquial semelhante à usada nas crônicas policiais, retrata a vida cotidiana nas periferias das grandes cidades, onde o tráfico de drogas e a polícia são duas forças opressoras opostas, constantemente presentes e cujas ações em certa medida convergem no emprego da violência. O resultado disso é uma comunidade amedrontada, habituadas à um estado de guerra permanente e a chorar a perda de conhecidos e parentes, vítimas da grande desigualdade e exclusão social.

“O sentimento era a clássica tensão antes do enquadro, de quando se avista o carro da polícia e sabe que vão parar. Mesmo não possuindo nenhum motivo para tal, o enquadro é sempre constrangedor e nunca se sabe o que vem da viatura. Os dois tinham esse sentimento: um receio misturado ao medo de saber que algo ruim aconteceria em pouco tempo. ”

Embora esteja ambientada neste cenário degradante, a narrativa consegue, em vários trechos, trazer certa leveza na descrição dos diálogos e nos pensamentos eróticos e amorosos do protagonista, dando fôlego entre as passagens eletrizantes e trazendo equilíbrio à história, tornando a leitura prazerosa e prendendo a atenção do leitor.

“Ela caminhou até ele para puxar um papo qualquer. Conforme o desfile se aproximava de seu desfecho, o rapaz olhava atentamente aqueles longos cabelos cacheados e aquela passada quase que vulgar que ressaltava um rebolado estonteante. Um leve tom de promiscuidade tomou conta dos lábios do rapaz, que sem perceber mordiscou os lábios. Tentou não aparentar o queixo caído, mas a mulher já sabia do tombo que ele tinha por ela. ”

O único problema encontrado na narrativa é que em algumas passagens a descrição do narrador se confunde com os pensamentos do protagonista e acaba atrapalhando um pouco o leitor na identificação de quem que é o ponto de vista: se é daquele que “narra” ou daquele que “pensa”. Mas isso não chega a comprometer a história, que é muito boa e tem muito potencial!

Recomendo fortemente a leitura e parabenizo o autor pela vitória merecida do concurso.

Acesse> No beco, um corpo seco – V.H. Oliveira

2º lugar: Fragmentos Corrompidos

ganhador 2 concurso2Resenha por Elielton Castro

Quando se pensa em demônios, a maioria das pessoas idealiza aspectos nocivos e cruéis: criaturas nascidas do Mal com a restrita função de disseminar o mal. Não é sequer cogitado se eles realmente devem ser resumidos a isso, afinal, por que seriam diferentes? São demônios!

Será?

Em Vale das Sombras, entre outros seres adversos à luz, vive Gnatus, “a criatura mais cruel e ardilosa do Reino da Morte”. Ele vem enfrentando um grande problema: recusa-se a comer algo que não seja humano, porém, é cada vez mais raro o surgimento de alguém da espécie pelas suas bandas, logo, Gnatus se alimenta menos, exibe uma péssima aparência e convive com as reclamações do estômago.

O leitor é levado a acreditar, em um primeiro momento, na índole abominável de Gnatus, que certo dia se depara com uma criança — Lhér — e a acolhe para aguardar o desenvolvimento dela e só então saciar a fome. Entretanto, pouco a pouco torna-se perceptível que mesmo um demônio não é totalmente mau.

A narrativa nos traz uma nova visão quando desenvolve a relação de Gnatus e Lhér, no maior estilo A Bela e a Fera — sem a parte de romantizar a relação entre prisioneira e carcereiro. Há uma passagem envolvendo uma fada que é bastante interessante, é onde o leitor passa a compreender melhor a proposta do texto.

Verdade seja dita, a partir deste ponto, cria-se determinada expectativa a respeito do desenrolar da trama. Gnatus ainda mantém o pensamento de devorar Lhér, mas percebe-se no texto a incerteza do que virá. Os mais esperançosos talvez até torçam por um rumo feliz.

Então, eis que ocorre a derradeira reviravolta — a qual se mostra uma grande ironia do destino —, e a história é concluída de modo inesperado. O final deixa a sensação de que não poderia ser diferente, pois se fosse, fugiria da natureza dos personagens, natureza que não é nem apenas boa nem apenas má.

“O que você caracteriza como um demônio? Um demônio é um humano que foi corrompido por outro humano.”

Fragmentos Corrompidos viaja entre gêneros distintos, é possível captar um pouco de fantasia, um pouco de terror, por aí vai, e a combinação gera ótimos resultados. O texto nos traz reflexões pertinentes sobre a noção do que é realmente mau, sobre aparências, além de nos proporcionar uma leitura leve. No entanto, em alguns momentos, nota-se a necessidade de uma reestruturação de parágrafos, de posicionamento de frases. Nada exatamente comprometedor, mas que causa certo desconforto.

Acesse > Fragmentos Corrompidos – K.L. Lilian

 

3º Lugar: A vendedora de calcinhas usadas

ganhador 3 concurso2Resenha por Flaviane Botelho

*O nome da protagonista é um mistério, por isso, vamos chama-la de Renata, igual ela se apresentou aos seus clientes.*

Renata é uma jovem mulher que têm seus planos e ambições; e neles ser subordinada não está incluso, por isso, ela decide ser autônoma, mas a escolha do seu novo serviço, é um tanto quanto incomum. Ela decide vender calcinhas, calcinhas usadas.

Nesse texto acompanhamos a rotina de Renata, tanto como vendedora e as estratégias que elabora para conseguir clientes; como a outra Renata, aquela que é uma estudante comum, que tem um namorado, que faz planos de se casar e ser mãe e que estuda história.

Talvez, em um pré julgamento, devam achar que a história possui um teor mais sexual por causa do nome da obra, porém, é ai que está toda a ironia da coisa, a história é muito bem intitulada, me arrisco a dizer que não haveria um título melhor que esse. Em suma, leve ao pé da letra mesmo.

Algo que chama muito a atenção durante a leitura é a escolha da autora em não seguir os padrões das histórias que comumente vemos na plataforma e é isso que eu admiro muito, a inovação e criatividade são pontos fundamentais para uma boa história. Além disso, a narrativa ma-ra-vi-lho-sa da autora nos conquista logo de cara, por ser dinâmica, intercalando entre períodos curtos e diretos; e uma forma de apresentar as palavras as vezes coloquialmente, deixando o texto mais contemporâneo, urbano e próximo do público.

Acesse > A vendedora de calcinhas usadas e outros profissionais – Mariana Lacerda

***

O Clube de Livros agradece a todos os autores participantes do 2º Concurso Literário da revista AUTORAMENTE! e parabeniza aos vencedores, que só puderam assim serem classificados graças aos votos dos leitores!

À você leitor, uma boa leitura e diversão e nosso muito obrigado por estar fazendo parte da história do Clube de Livros, da revista AUTORAMENTE! e dos autores!

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Um comentário em “RESENHA | Ganhadores do 2º Concurso Literário da revista AUTORAMENTE!

  • 27 de maio de 2017 em 18:28
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    esse concurso foi muito bom!! fiquei muito feliz com as histórias que ganharam, parabéns aos autores!
    mas tenho que confessar, a história da Mariana Lacerda é minha preferida! concordo muito com a Flaviane sobre a originalidade do texto!

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