ENTREVISTA | Vitto Graziano, autor do livro Bella Máfia

Olá, pessoal! Hoje conversamos com Vitto Graziano, autor de Bella Máfia. Tivemos uma conversa imensamente prazerosa e agradável e destaquei aqui alguns dos pontos discutidos.

Clube de Livros: Bella Máfia, diferentemente de muitas outras histórias, é narrada no Brasil. Como teve a ideia da história e como a inseriu em território nacional?

Vitto: Cresci numa família italiana e sempre tive curiosidade de como eram os costumes dos meus parentes, então resolvi pesquisá-los. Meu bisavô era um simples peixeiro, mas alguns fatos me deixaram intrigado, uma vez que para um homem tão humilde era muito bem relacionado – uma duquesa belga, um dono de madeireiras; pessoas influentes. Depois descobri que ele ajudou o Brasil na Segunda Guerra Mundial na elaboração dos mapas para a invasão na Itália. Era pescador, então sabia os caminhos do mar. Depois outras informações foram chegando. Então imagine essa informação toda na cabeça de um jovem!

Essas coincidências estranhas alimentaram a minha curiosidade e fizeram com que me tornasse um curioso do área. Aqui em casa tenho mais de 150 títulos sobre organizações criminosas de todas as partes do mundo e existe um nome muito comum em quase todos os livros: “Brasil”. O Brasil é um dos principais países de rota do tráfico de cocaína no mundo (mais uma explicação para violência desenfrenada no país, uma vez que todos os países que fazem parte desta rota são os mais violentos do mundo). Então comecei a brincar de associação. Após a revolução cubana e o aperto dado pelo FBI nos Estados Unidos, o Brasil se tornou o maior refúgio da máfia italiana no mundo.

C.L.: Quais acha que são os pontos fortes da sua obra?

V.: É bem complicado falar sobre os pontos positivos, mas acredito que a crueza do enredo seja interessante, assim como a narrativa. Trabalhei baseado nos roteiros do Guy Ritchie. Quer dizer, eu faço um enredo que foge do básico da Jornada do Herói. O livro é dividido em 4 partes, sendo que a primeira é composta por 19 capítulos com um fio de ligação bem frágil. Basicamente, apresento todos os personagens de maneira desconexa. Porém, todas as ligações vão sendo criadas a partir da segunda parte onde coloco os personagens no mesmo cenário. Na terceira jogo a bomba e na quarta cato os restos!

C.L.: E você tem algum personagem preferido?

V.: Todos são filhos, embora exista o protagonista.

C.L.: Mencionou anteriormente que trabalhou baseado nos roteiros de Guy Ritchie. Ele é sua principal inspiração ou você tem outra? Um livro, um filme…

V.: Gosto muito do Mário Puzo, Asimov, Stieg Larsson…

C.L.: Você escreve há muito tempo ou Bella Mafia foi seu primeiro livro?

V.: Bella Máfia é o primeiro livro, mas demorou quase dez anos. A sequência deve sair ano que vem. Aprimorei a técnica. Quanto mais aprendia mais alterava.

C.L.: Você pensa no seu livro como um objeto de uma moral específica ou como um transmissor de cultura? E se tem moral, qual é?

V.: Vejo como um veículo de comunicação. Cabe ao autor saber o que deseja transmitir. Alguns anseiam pelo entretenimento, uma vez que o lazer talvez seja a parte mais importante do dia de uma pessoa. Outros preferem trazer reflexões sobre o cotidiano, o meu caso.

C.L.: Para encerrar, possui algum recado aos leitores?

V.: Gostaria que as pessoas buscassem a origem das informações. A pós-verdade é uma constante verdadeira e em função dessas técnicas de desinformações deixamos o país nesse lamaçal de panelas silenciosas.

Àqueles que se dizem leitores, por favor, leiam. Ler de fato, não correr os olhos e juntar sílabas. Ler é a arte de processar e interpretar informações. Digo, é técnica.

E tenho um recado aos escritores também: leiam ainda mais, uma vez que não existe escritor que não lê, assim como não há músico que não estude e escute música. Vocês são formadores de opinião e responsáveis pelas ideias disseminadas por seus escritos, então, por favor, consciência.

Estou cansado de ver fã de Star Wars pedindo por ditadura militar, sem contar os dos X-men que não entendem o conceito de minoria de empoderamento social.

Acho que é isso. Um pedido verdadeiro.

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2 comentários em “ENTREVISTA | Vitto Graziano, autor do livro Bella Máfia

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