ENTREVISTA + SORTEIO | Dira Arrais, autora de Novo Horizonte

Indira Arrais, na certidão de nascimento. Mais conhecida por Dira, Diras, Didira, Diroca, Preta e Índia! =D Psicóloga com Residência em Saúde da Família e cursando pós graduação em Tanatologia. Funcionária pública, trabalha com crianças com dificuldade de aprendizagem na cidade onde mora: Teresina – Piauí. Leitora compulsiva, não do tipo que lê todos os lançamentos, mas do tipo que quando começa um livro só larga quando termina. Vê palavras em imagens, sons e aromas. Não acredita em previsões astrológicas, mas é uma sagitariana típica. Encontra-se na terceira década desta vida (na certidão), mas dança com facilidade em todas as fases da existência humana. Brinca porque gosta, chora quando tem vontade, se sente com cem anos vez em quando, e faz piada de (quase) tudo. Escreve porque gosta de transformar suas divagações em textos, porém sua única ambição literária é ler todos os livros que lhe interessem. Ama onças, gatos, cachorros, corujas, tartarugas, elefantes, e leões. Aliás, ama os animais. Pira em tatuagens, mas por enquanto só tem quatro, é louca pela cultura egípcia, adora observar a Lua e o pôr do Sol, gosta de música, mas prefere o silêncio para escrever. Acredita em Justiça e que essa não é a única vida que vivemos/viveremos. Seus escritores prediletos são Jane Austen, Gabriel Garcia Marquez, Jorge Amado e Saramago. Sua palavra de cabeceira é Gratidão.

CL –  Na sua história vemos um casal cheio de altos e baixos, os dois cometem erros que podem levar a destruição do amor que une os dois, o que te levou a escrever a história dos dois? Você não ficou com medo de em um ponto da história eles simplesmente não conseguissem mais estar juntos por conta da grande mágoa que um nutria pelo outro?

DIRA – O que me levou a esse enredo foi o gosto por reencontros. Talvez por influência do G. G. Marquez em “Amor nos tempos do cólera”. Amor é lindo de todo jeito, mas quando, sei lá por quais motivos, as pessoas se afastam, e o universo conspira pra esse reencontro, acho incrivelmente mais emocionante. Não fiquei com medo da mágoa impedir, mas se isso acontecesse, não seria um problema. A vida seguiria. A vida sempre segue.

CL – Quando escrevemos um livro sempre existe um momento em que o enredo nos vem a cabeça, seja por conta de uma música, filme, acontecimento com alguém próximo, sonho. Aconteceu isso com essa história?

DIRA – Com certeza! O enredo veio durante uma viagem pra Santa Catarina. Aquele clima, a mistura de serra e litoral, a gastronomia, foi tudo encantador. Só pensava em escrever algo que se passasse lá. E ouvindo Leoni, veio a ideia. Por isso cada capítulo tem o nome de uma canção dele, e se você prestar atenção, tem a ver com a ideia da letra também.

CL – Algum personagem foi inspirado em alguém que você conhece ou até mesmo em você?

DIRA – Vários. Todos tem um pouco de mim, não dá mais pra fugir disso. Mas alguns foram inspirados em amigos bem próximos, como o Apollo, a Natália e a Tânia, baseados em grandes amigos meus. A Tânia do livro é a Tânia Picon, escritora, amiga e uma das minhas maiores incentivadoras. Sem ela, NH nunca teria saído do meu notebook.

CL – A sua narrativa é chamativa e envolvente. Você se inspira (ou é influenciada) pelo o que já leu?

DIRA – Acho que não tem como fugir disso também. Somos uma mistura do que admiramos. Nos contagiamos, (de forma positiva), por aquilo que nos toca e nos inspira. Embora eu não chegue aos pés dos autores que admiro.

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CL – A personagem principal, Lua é nitidamente fã de Orgulho e Preconceito. Por que citar esta obra e fazer outras tantas referências no decorrer da história? Isso tem relação também com os gostos pessoais da autora?

DIRA – Eu gosto de referências, sabe? De despertar a curiosidade para além da obra. De fazer com o que o leitor se identifique com o que está ali, que sinta que pode fazer parte daquilo, que tudo pode acontecer com ele também. Mas as inúmeras citações a Austen, vão além disso, para mim, ela é a Diva da literatura, e, além de homenageá-la, eu quis mostrar que às vezes, nossa imaturidade nos leva por caminhos tortuosos. A Lua era tão fã de Jane Austen que idealizou um amor que só existia nos livros, e deixou de enxergar que é possível ser feliz na vida real. Foi uma tentativa de desconstruir nosso imaginário dos contos de fadas, e mostrar que a realidade é mais legal.

CL – Existe alguma parte na história que ficou de fora por algum motivo especial, ou mesmo, alguma parte que se manteve, mas que você considere que talvez seja polêmica?

DIRA – Incrível você perguntar isso. Teve uma parte que foi cortada sim, o relacionamento que a Lua teve com o Mateus. Na versão atual, é só um casinho, mas na primeira versão era algo mais sério. Decidi tirar porque as Edumaníacas não superariam esse fato.

CL – Quando você colocou traição em seu livro, você não ficou receosa de como os leitores iriam responder a isso?

DIRA – Sabe que não? Na realidade, eu quis mostrar que o amor, o amor de verdade, quebra paradigmas. Edu não traiu por safadeza, ele não é mau caráter. Ele só era louco por aquela mulher, e tinha raiva de si mesmo por não conseguir resistir.

Mas o engraçado, é que até agora, pelo menos, a traição do Edu não gerou burburinho. Infelizmente, a sociedade lida melhor com traição masculina. Já o lance da Lua com o Mateus, foi bastante comentada (mesmo ela não tendo nada com o Edu)!! Tipo, fiquei beeeeem chateada com os comentários. Por que o Edu podia trair a Estela, mesmo apaixonado pela Lua, e a Lua, solteira, não podia conhecer outras pessoas pra tentar esquecer o Edu? Isso é de uma tremenda hipocrisia. Muita gente ainda gosta de protagonistas puras e incautas. Bom, grazaDeus, não é o caso das minhas.

CL – Fale sobre a parte mais complicada de escrever em especial neste trabalho, Novo Horizonte (Se puder falar um pouco sobre o que acha mais complicado escrever como um todo, também queremos saber).

DIRA – Para mim, a parte mais complicada, é não poder dedicar mais tempo a escrita. Ficou mais que claro que a prática ajuda bastante na evolução. Acho meu último livro, Caderno de Receitas, que estará em breve na Amazon, bem melhor que o primeiro, embora ainda possa melhorar. A falta de incentivo também dificulta bastante. Um bom revisor é caro, e obviamente, é preciso vender muuuuitos livros na Amazon por esse precinho camarada, para pagar alguém competente. Outro ponto bem individual mesmo, é que meus livros são muito catárticos. O start do enredo vem do nada, e vai se desenvolvendo a medida que escrevo. Não sou aquela pessoa que antes de começar já sabe mais ou menos quantos capítulos vão ser, que planeja cada momento. Eu tenho a impressão que escuto os personagens, que sinto os sentimentos deles, e vou jogando no notebook a medida que eles falam comigo. Às vezes eles não querem me deixar dormir, e às vezes eles não querem conversa. Mas não posso me dar ao luxo de levantar de madrugada para escutá-los (porque quem paga minhas contas é a Psicologia), e a inspiração nem sempre vem nas férias, aí complica. Mas nesse livro, o mais difícil é a questão da mesclagem de tempos, e o tamanho dos capítulos. E olhe que cortei muita coisa, mesmo assim, o livro é enorme.

CL – Ao ler a história, é perceptível que algumas reações dos personagens indicam certa imaturidade, o que nos faz lembrar do que é ser jovem e fazer besteiras (ou reagir exageradamente). Por isso gostaria de perguntar se você intencionava atingir um publico mais adolescente ou jovem adulto?

DIRA – A intenção não era necessariamente atingir público A ou B. Como eu disse acima, não planejo, vou escrevendo. O mais importante, era retratar a verdade dos personagens. A Lua começa o livro com dezessete anos, não dá pra esperar maturidade de uma jovem saindo da adolescência, ao contrário, ela traz todos os dramas, exageros e imaturidade típica da fase. Com a passagem de tempo e as vivências, aos poucos fui mesclando o que ela ganhou em relação ao desenvolvimento, coisa que só o tempo foi capaz de transformar.

CL – pensando ainda na questão do comportamento dos personagens (os defeitos em especial relacionados a imaturidade), me fizeram pensar que no final das contas, boa parte das pessoas que conheço tem muito mais defeitos que qualidades rsrs. Sendo um livro de ficção, porque então apresenta-los dessa forma na história?

DIRA – Porque eu gosto desse toque de realidade. Gosto de histórias que são, parecem ou poderiam ser reais. (De preferência com final feliz!)

CL – Qual a reflexão que você quis passar através de Novo Horizonte para seus leitores?

DIRA – Que NINGUÉM é perfeito. Que TODO MUNDO vai errar com você num momento ou outro. Que você também vai errar. E que a gente precisa se dar uma chance pro perdão, pra nós mesmos, e para as pessoas que a gente ama.

CL – Se você fosse Lua, faria tudo exatamente como ela fez? O que você mudaria?

DIRA – Não mesmo. Não tenho coragem para tentar a vida fora do país, muito menos com um filho na barriga, e escondido do pai dele. Acho que o maior erro da Lua não foi seguir seu sonho, mas impedir que um pai participasse da vida de um filho. E, embora eu entenda os motivos dela, ao meu ver, é algo muito grave.

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CL – Novo Horizonte fala sobre o perdão e como a falta de comunicação e deixar-se levar pelo pensamento de terceiros pode acabar com uma relação. Realmente fiquei muito intrigada com esses pontos abordados, partindo dessa visão de você fosse Eduardo perdoaria Lua, porquê?

DIRA – Ah, perdoaria. Sabe, por que? Porque ele a amava. Porque não perdoá-la, era machucar-se todo dia. Porque quando a gente compreende o que está por trás do erro, (no caso da Lua: o medo, a imaturidade, a relação difícil com a família), fica mais fácil se colocar no lugar do outro, e assim, perdoar.

CL – O livro tem diversas cenas Hot, te parabenizo por produzir essas cenas de forma incrível. Você sentiu dificuldades em produzir essas cenas? Como você se inspirou para escreve-las?

DIRA – Ah, obrigada! O que me inspirou foi realmente a relação de amor e ódio dos personagens. Eu tentava viver aquele sentimento, me imaginar no lugar deles. Em como eles seriam na cama. Nos momentos de raiva, de amorzinho, de reconciliação. Imaginar o Edu gato e sexy ajudou muito! Haha! Mas na época que escrevi, achei as cenas eróticas bem necessárias, hoje, não acho mais. O que você acha? Faria falta, se não tivesse?

CL – Agradecemos a sua atenção por estar respondendo a nossas perguntas e vamos para a última: Se você pudesse escolher apenas uma cena dentro de toda a história que te marcou, qual seria? O que te levou a escolher esta cena?

DIRA – Eu que agradeço! Amei esse bate papo! Mas agora você me fez uma pergunta superdifícil, porque tem cada coisa tão linda… Porém, sendo bem sincera mesmo, acho que a mais marcante é o momento onde a Lua confessa para a mãe toda a verdade. É um momento que sempre me emociona, porque ali, pela primeira vez, a Sônia age como mãe, ela acolhe a dor da filha, sem julgamento, com amor e compreensão. E a Lua, conta com essa mãe, que sempre foi tão omissa e distante, no momento que ela mais precisa. É onde, finalmente, elas se tornam efetivamente mãe e filha, e começam a construir uma relação mais saudável.IMG_7330

Antes de terminar, tenho um recado pra quem gostou de Novo Horizonte: Logo, logo terei mais um livro na Amazon, “Caderno de Receitas”, um romance espiritualista, recheado de coisas gostosa e amores surpreendentes!

E se alguém ainda ficou com dúvidas sobre Novo Horizonte, ou qualquer outro livro meu, ou só quer bater um papo mesmo, chama nas redes sociais que ADORO conversar!  =D Página do facebook: Dira Arrais. Instagram: @dira_arrais. Espero vocês!

entrevista feita por Ana Paula e Clube de Livros


Agora vem uma parte que todo mundo gosta e todo mundo quer: SORTEIO. E dessa vez, nossa parceira nos enviou marcadores de Novo Horizonte, com o verso de Confissões de Heloísa (outro livro da autora). Marcadores finos, elegantes, sinceros e lindíssimos.

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Mas fiquem ligados, esses não serão os únicos, vai rolar sorteio de marcador da Dira, na nossa fanpage, instagram e Skoob também!

PS: Lembrando que o envio gratuito será feito apenas para território nacional. O ganhador será contactado por e-mail e se não responder no prazo de 3 dias, o sorteio será refeito.

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