ENTREVISTA | Autoras Anne e Priscila de Primavera sem Rumo e Verão Inabalável 

Texto de Fernanda Scheffler. 



Hoje recebemos no nosso blog a dupla Anne e Priscila, escritoras de “Primavera Sem Rumo” e “Verão Inabalável”, com ainda muitas outras histórias a serem postadas.
Conversamos bastante e apresentamos aqui, as respostas para as perguntas, sobre elas, como escritoras, e sobre a história.

Clube de Livros [C.L.] – Como surgiu a ideia da história?

Priscila [P.]: Eu estava terminando o ensino médio quando a Anne me convidou. Naquela época eu já estava muito atarefada, com o TCC e as provas finais, mas aceitei porque foi algo que me empolgou. Apesar disso, me sentia esgotada e até pensei que não conseguiria continuar com a ideia do livro; a Anne não desistiu mesmo com a minha instabilidade e , sinceramente, seu convite foi como uma válvula de escape pra mim, naquela época. Então, ela me contou do sonho que teve e que pensou em mim para escrever com ela.

Depois disso, começamos a pesquisar, aos poucos, coisas para nos basearmos. As pesquisas foram muitas, aliás.

Escrevemos algumas partes aleatórias para conhecermos nossas escritas e aprimorarmos ela conforme o tempo.

C.L. – Há quanto tempo escrevem?

Anne [A.]: Em outubro completarei dois anos.

P.: Antigamente costumava escrever meus pensamentos do dia a dia. Acho que a Anne me convidou porque eu mostrava algumas coisa a ela antes disso, então pensou em mim.

C.L. – Começaram escrevendo Primavera Sem Rumo?

P.: Isso, nós duas. É por isso que digo que ainda temos muito o que melhorar. Ter essa consciência é essencial. No meu segundo ano, escrevi alguns capítulos de um livro. Porém, era muito ruim e eu me sentia forçada a escrevê-lo. Não era algo natural, sabe? Então parei. Era um suspense só que muito clichê.

C.L. – Vocês pretendem publicar?

P.: Agora pretendemos. Como falei, por mais que melhorei no quesito insegurança, ainda há resquícios. É o nosso primeiro livro. Quero refazê-lo até me sentir satisfeita para enviar para alguma editora, embora já tenhamos feito isso há algum tempo. Enfim, sim, pretendo publicá-lo!


C.L. – Anne, vi que gosta bastante da Isabela Freitas. Ela é sua autora preferida? 

A.: Gosto muito dela, no entanto, ela não é a autora favorita. A Isabela encontra-se na lista das top 3. Quem ocupa o topo é a Stephenie Meyer, Sarra Manning apropriou-se da segunda posição e a Isabela, em terceiro.

C.L. – E elas influenciam você, de alguma forma? Acha que algo do que escreve lembra elas?

A.: Nesse caso, apenas a Isabela. Com ela aprendi a dar mais sutileza à história como um todo, pois ela faz isso em seus livros. Mas não acho que chegue a lembrar algo dela, especificamente.

C.L. – E você, Pri, tem algum autor/autora preferida? E acha que ele/ela te influencia, de alguma forma?

P.: Eu leio de tudo, especialmente suspense e fantasia. Gosto da forma como Harlan Coben consegue me prender em suas histórias. Adoro a ironia e o sarcasmo cômico de Douglas Adams. Acho que cada escritor tem potencial para influenciar alguém, depende (mas a grande maioria, sim). Não tenho um preferido, porque vai de acordo com o que eu aprendo com o autor. Porém, também adoro Harry Potter e a sua natureza mágica e fantástica. Então certamente vai do livro e principalmente do autor.

C.L. – É bem complicado escrever um livro, na hora de pensar em todos os detalhes e na sucessão dos acontecimentos. Isso facilita com duas pessoas ou não, dependendo da opinião, se concordam ou divergem. Como é que você e a sua parceira lidam com isso? Digo, em relação às duas coisas, às concordâncias e discordâncias.

A.: Como sabe, esse foi meu primeiro livro, então acabei sabendo lidar com uma segunda opinião a todo momento. Para mim é muito mais fácil escrever com alguém do que sozinha. É claro que nem tudo é colorido, pois temos ideias diferentes, discordamos em muitas coisas, porém nunca brigamos. A palavra de ordem em nosso relacionamento (autora e coautora) é “diálogo”. Já éramos amigas antes e, conforme PSR foi crescendo, a amizade também.

P.: Olha, costumo dizer que nos damos muito bem quanto a isso. Quando uma de nós tem uma ideia e é compartilhada, vemos se vai dar certo, analisando as consequências e tudo mais. Algumas ideias são absurdas e intragáveis, mas levamos numa boa, com direito a zoar a outra! Eu acho ótimo trabalhar em dupla. A Anne é uma parceira muito boa. Não sei como seria se fosse com outra.

C.L. – As ideias de vocês costumam se completar?

A.: Uma começa uma ideia e a outra comenta: “Eu pensei nisso também!”. Até parece que somos uma só mente.

C.L. – Vocês tem personagens preferidos em PSR?

A.: TENHO! Amo o Thomas pelo fato de compreender, respeitar e cuidar da Liz. Assim como o Connor, que é o vilão da história. Não consigo odiá-lo apesar de ser um personagem tão cruel, às vezes. Acredito muito no potencial dele como alguém que um dia encontrará a redenção e se arrependerá dos seus atos.

P.: É a Iris e Louise. Não conte para os outros personagens, pois vão ficar com ciúmes!

C.L. – E você, Pri, o que acha sobre esse “vilão”, o Connor?

P.: O Connor é um dos mais humanos assim, mas suas atitudes me afastam… Apesar de ser um dos melhores personagens e por ser um que criamos, não consigo nutrir esse sentimento por ele, nem como autora, mas gosto. Ele é intenso. O último livro será o dele, onde praticamente vai reinar. E provavelmente vai ser um dos melhores livros dentre os 4. A Anne concorda comigo nisso.

C.L. – Qual a moral que, de forma geral, você tenta passar aos leitores?

A.: Existem duas. Uma delas é a amizade e como os amigos contribuem na superação de um trauma; e a outra é um alerta à sociedade. Mudanças sutis podem não ser apenas um amadurecimento repentino, timidez, rebeldia sem causa. O livro tratou de um tema muito forte, onde uma das personagens sofreu com algo recorrente e que quase ninguém se dá conta. A gente tentou trabalhar isso de uma forma não-pesada para atingir um público maior.

P.: Cada livro tem uma moral distinta, mas no geral é: por mais que esteja enfrentando problemas, confiar em alguém (não precisa ser só um amigo) é essencial. Pois, sabendo que tem alguém esperando por você, torcendo pelo seu bem e disposto a te ajudar, a insegurança que temos se torna nada. Somos capazes de vencer qualquer obstáculo que apareça com ajuda.

C.L. – Tem algum recado aos leitores?

A.: Eu espero que essa entrevista não sirva apenas para conhecer um pouco mais sobre a história, mas para uma reflexão sobre as pessoas. Não sabemos tudo o que se passa com quem está ao nosso redor, muito menos o que eles passam dentro de quatro paredes, por isso, seja compreensivo, respeite o próximo e seja gentil.

Aos leitores, eu agradeço imensamente por cada gesto de carinho. Seja grande ou simplório. Se foi dado de coração, é mais do que o suficiente para fazer essa autora aqui ficar boba e chorar de emoção.

Agradeço também a Fernanda por ter lembrado de mim.

P.: Quero agradecer imensamente a cada um que for ler esta entrevista. Aqueles que leram nossos livros, muito obrigada por existirem e nos acompanharem em uma jornada na qual escolhemos. Isso é muito importante para nós duas. Um escritor é nada sem os seus leitores, obrigada, mesmo.

(Recebam todo o sentimento nessa única palavra, porque agradecer é o que podemos fazer no momento.)

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