DICAS | Tipos de narrador

Olá escritores!

Faz algum tempo que li um livro interessante, bem didático, sobre foco narrativo. Ele fala um pouco sobre textos ficcionais, narrativa aristotélica – entre outros pontos – e claro, tipos de narradores. Conversando com os colegas do blog, achamos que este poderia ser um material interessante para apresentarmos aqui. Poderíamos falar sobre os tipos de narradores mais superficialmente, com pequenas frases e conceitos; mas se apresentarmos alguns exemplos que o livro traz, talvez ajudará a enxergar, digamos assim, “na prática” a que se refere cada tipo de narrador.

Vamos então dar início à essa série de posts sobre Tipos de narradores, baseados no livro “O foco narrativo”, da autora Ligia Chiappini Moraes Leite.

Introdução

Com relação aos tipos de narradores, Ligia Chiappini faz uma análise da tipologia utilizada por Norman Friedman sobre os tipos de narradores utilizados em textos ficcionais. Essa classificação ajuda principalmente a entender alguns levantamentos de questões que ele propõe para o narrador, como:

1 – Quem conta a história? Trata-se de um narrador em terceira ou primeira pessoa? De um personagem em primeira pessoa? Não há ninguém narrando?

2 – De que posição ou ângulo em relação à história o narrador conta (por cima, na periferia, no centro, de frente, mudando)?

3 – Que canais de informação o narrador usa para comunicar a história ao leitor (palavras, pensamentos, percepções, sentimentos – do autor ou do personagem? – ações, falas do autor ou do personagem? Uma combinação disso tudo)?

4 – A que distância ele coloca o leitor da história (próximo, distante, mudando)?

E para também entender um pouquinho melhor a “posição” desse narrador, é interessante lembrar que Friedman chama a atenção para a predominância da cena nas narrativas modernas e do sumário, nas tradicionais.

Basicamente, podemos dizer que a cena é aquela descrição da ação, aquela ação que podemos acompanhar com detalhes o momento da execução, diálogos e personagens, não importando se é no presente ou passado. Já o sumário, seria uma simplificação, quase como uma referência à uma cena que o leitor já conhece/leu. Por exemplo: “Fulano contou o que viu”. Mas também pode se referir a “um relato generalizado ou a exposição de uma série de eventos abrangendo um certo período de tempo e uma variedade de locais” (Friedman)

É interessante entender que esses dois conceitos (de cena e sumário) e mesmo os que virão de tipos de Narradores são uma questão de recorrência e não de exclusividade. Essas coisas de “categorias” são um tanto quanto estruturalistas e por vezes bem engessadas, então, não devemos levar “a ferro e fogo” o que estudaremos a seguir, mas sim como uma forma de compreender como essas ocorrências aconteceram e como podemos perceber nos textos e claro, utilizar em nossos trabalhos.

Nestes textos, vou trazer com mais detalhes cada tipo de narrador analisado por Ligia e Friedman, que serão:

Autor Onisciente Intruso: Narrador emite opiniões sobre o que acontece e sobre personagens.

Narrador Onisciente Neutro: tende a 3ª pessoa. Evita tecer qualquer comentário sobre a história ou personagens.

“Eu” como testemunha: 1ª pessoa, narra a periferia do acontecimento. Não tem acesso à mente dos demais, mas infere, presume e testemunha.

Narrador-protagonista: 1ª pessoa, é o personagem central e não tem acesso ao que os outros personagens pensam/sentem. Tem a visão limitada por suas próprias percepções.

Onisciência Seletiva Múltipla: Não há propriamente narrador.  A história vem diretamente da mente dos personagens, das impressões que fatos e pessoas deixam neles. Predominância da cena. Discurso indireto livre.

Onisciência Seletiva: Relacionado a um só personagem. Limitação a um centro fixo. Discurso indireto livre.

Modo Dramático: sem autor, sem narrador, sem inferências sobre estado mental, apenas informações sobre o que os personagens falam e fazem.

Câmera: possível “exclusão do autor” maior destaque nas cenas, sem interferência sobre o que vai à mente dos personagens ou subjetividades.

Análise mental, monólogo interior e fluxo de consciência: onisciência seletiva e multisseletiva, aprofundamento nos processos mentais e expressão direta dos estados mentais, desarticuladamente.

Por hora é isso, no próximo post, iremos ver o Autor Onisciente Intruso, analisando sua posição e ocorrências em algumas obras.

E aí, só por essa lista básica, como você, autor, imagina que seja o uso de narrador mais recorrente nos seus textos?

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Sobre o autor

Lua Bueno Cyriaco
Administradora do Clube de Livros, Produtora e organizadora do Concurso Literário Autoramente! Ilustradora e quadrinista - Formada em Artes Visuais (FADM-UNOPAR), graduanda em letras Japonês (UFPR) Assina os cadernos e marcadores da própria marca Lunares.
Uma brasiliense no frio de Curitiba.

Lua Bueno Cyriaco

Administradora do Clube de Livros, Produtora e organizadora do Concurso Literário Autoramente! Ilustradora e quadrinista - Formada em Artes Visuais (FADM-UNOPAR), graduanda em letras Japonês (UFPR) Assina os cadernos e marcadores da própria marca Lunares. Uma brasiliense no frio de Curitiba.

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