DICA |  Escrever é arte, procrastinar faz parte. 

Texto de Fernanda Scheffler. 

“Procrastinar: adiar; deixar para outro dia; usar de delongas” (Gheorghe Muscalu, São Paulo – 2008).

Todo escritor passa por aquele momento em que, mesmo com o capítulo a escrever e aquele parágrafo para editar, é tomado por uma vontade quase irresistível de se derramar na cama e maratonar as séries atrasadas ou de só ficar rolando pelo feed de notícias do Facebook; quem sabe, sabe-se lá porquê raios, pesquisar sobre a Segunda Guerra Mundial e rever cenas daquela novela que marcou você.

Dizem que os criativos, sejam quais forem – escritores, pintores, arquitetos, designers, artistas plásticos, estilistas, são procrastinadores natos. Porém, nem sempre procrastinar é algo ruim para o processo criativo.

Nesses tempos imparáveis, vivemos a Era da Agilidade, onde tudo precisa ser rápido; onde, antes dos 21 anos, precisamos ter a vida preparada; delongar algum compromisso ou ação é considerado, em termos, quase um pecado. A “perda de tempo” é sinônimo dos preguiçosos, dos vagabundos, dos que não tem rumo. E é exatamente por esse motivo que matérias sobre o assunto sejam anexadas a maneiras de como evitar ou curar, como se fosse uma doença.

No entanto, se soubermos lidar com a procrastinação – já que é impossível fugirmos desse desejo de nada – podemos nos tornar cada vez mais geniais. Não é só lendo um livro, escrevendo um texto, dialogando com um intelectual ou assistindo um documentário que aprendemos algo. Também podemos aprender ao refletir sobre qualquer coisa, da mais simples à mais complexa. Toda dúvida é cabível.

Procrastinar pode ser um bom hábito que dará o tempo correto para o nascimento de uma grande ideia. Ela leva a nossa mente a quebrar estruturas, linhas de tempo, paradigmas do dia a dia, nos faz fuçar ideias erraticamente, encontrar soluções complexas. E aí nos tornamos pessoas bem diferentes daqueles sabe-tudo que já sabem exatamente o que fazer com seu texto. Eles tendem a correr atrás das ideias mais óbvias, pois são mais fáceis de serem organizadas, são mais simples e pouco acentuadas; padronizadas. E assim é criado mais um clichê, uma história que parece que é fusão do livro A com o livro B e com algumas cenas retiradas do livro C.

No entanto, os procrastinadores podem se aproveitar dessa inércia criativa, totalmente necessária para o desenvolvimento de qualquer obra, seja literária ou não, para desenvolver quebras, pensar em alternativas distintas daquela que surge inicialmente e, nem sempre, é a melhor ou mais interessante.

A pressa é inimiga da criação.”

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