MATÉRIA | A oficina “Na correnteza” – relato de uma participante

A oficina “Na correnteza”, realizada nos dias 08 e 09 de Julho, teve o propósito de lançar os amantes da escrita criativa em um grande rio, convidando-os a navegar de acordo com a brisa do momento e sem um destino aparente. O ambiente de co-work, localizado na arborizada região da Ana Rosa estimulou o senso criativo dos participantes presentes na casa Cor de Laranja.

Logo de início, Mateus Ciucci Ferreira nos chamou a entrar em contato com o nosso corpo e a nossa mente, realizando exercícios de respiração e percepção corporal. Ambos nos preparam para o exercício da escrita, e começam a desfazer as pequenas travas do pensamento que bloqueiam a fluidez. Prontos para navegar sem obstáculos ou concepções prévias, elaboramos vários textos através de gatilhos criativos de diversos gêneros e temáticas. Eles se tornam o empurrãozinho essencial para desfazer os nós da escrita criativa. Após a leitura e troca de experiências durante o processo, o terceiro conjunto de gatilhos fez com que a confiança se tornasse mais um convidado da oficina. Mateus compartilhou dicas valiosas sobre o processo da escrita fluida e nos guiou a uma expansão cada vez maior de nossa criatividade durante o processo de construção dos textos.

As horas passaram de forma tão rápida quanto o nosso caminhão de ideias despejadas no papel. Analisando esse dia, acredito que captei duas valiosas dicas dessa experiência: a primeira delas é a possibilidade de separar a escrita em dois momentos específicos: a escrita fluida, sem cortes, edições ou pré-julgamentos sobre o conteúdo e a forma do mesmo. Essa escrita é bruta e desorganizada, contando com as ideias mais latentes. No segundo momento, temos a escrita trabalhada e reescrita, que se desenvolve sobre o material bruto e lapida sua forma, seu espaço e sua organização, criando peças às quais não seria possível sem os pedaços essenciais vindos da fluidez criativa do momento anterior.

Com essa reflexão maior em mente, o segundo dia da oficina já trouxe maior familiaridade com as atividades, mas não deixou de surpreender. Novas técnicas de uma escrita fluida foram acrescentadas e os desafios tornaram os textos cada vez mais próximos da espontaneidade desejada. Ao final, posso dizer com certeza que a oficina ofereceu uma experiência única e valiosa, não só na criação de textos criativos, mas sobre qualquer momento ao qual necessitamos da fluidez da nossa mente na criação de algo novo. Em conjunto, fomos capazes de diversificar nossas histórias, conhecer o estilo um do outro e aprender como buscar nossos próprios gatilhos criativos no nosso dia-a-dia. Dessa maneira, a história que desejamos contar não se torna uma ideia presa em nossas mentes ou pré-editadas no papel, e sim fragmentos brutos de uma escrita espontânea como ela deve ser.


texto de Bruna Gil,

sobre sua experiência ao participar da oficina de escrita criativa “Na correnteza” com Mateus Ciucci, editor da revista Autoramente!, que cedeu uma bolsa integral para os participantes do concurso cultural promovido aqui no blog do Clube de Livros

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